Duchamp, Não Linearidade e Quadrinhos

abril 13, 2013

foto graphic1

http://www.mangamono.com/leituracombinadas/

Fala-se muito em não-linearidade. Fala-se muito, pratica-se quase nada e cria-se enormes confusões uma vez que não se compreende realmente do que se trata.

Todo processo, todo enredo, todo drama, toda história tem ‘a priori’, início, meio e fim. Parece uma verdade absoluta para nós ocidentais que bebemos das tradições greco-romanas e fomos forjados à base de seus infindáveis dramas entre a razão e a emoção.  Mas outras realidades existem além de nossos tradicionais olhares. Realidades bem mais antigas do que a desta vã civilização.

A noção de ‘não-linearidade’ massificou-se com a internet, como se fosse algo de outro planeta. Ou melhor, algo hipermoderno, com acesso irrestrito ao jovem e restrito aos mais velhos. Equívoco abissal, a ‘não-linearidade’ faz parte da natureza humana:

É só observar melhor como se processam nossos pensamentos..(não existe ninguém que sustente o pensamento, linearmente, o tempo todo. Muito pelo contrário, como se sabe cada vez mais nos tornamos, menos concentrados).

Estas são, foram, serão(¿) construções da cultura. Construções orientadas por sistemas, organizações, metodologias e planejamentos com a pretensão de nos organizarmos em sociedade. OK, todo mundo precisa de alguma organização pra realizar coisas que nos parecem interessantes. Só não dá pra esquecer que não precisamos viver o tempo todo ‘enquadrados por sistemas e processos’, num cotidiano modelado ou exemplar!

Do contrário abriremos mão de quem realmente somos: Seres Não Lineares…

Logo, a cultura tem momentos incríveis de realizações inovadoras, destaco toda a tecnologia que ampliou nossa visão de mundo e expectativa de vida. Mas na maior parte do tempo, no cotidiano pop, ela não passa de culto a idiotização.

Marcel Duchamp, um modernista com pé no contemporâneo tem um trabalho tão poderoso que até hoje influencia muita gente. Mas quase ninguém que não seja iniciado, no meio das concepções e subversões que historicamente a arte é capaz, consegue entendê-lo. Eis que o conceito de Não-Linearidade é aspecto fundamental em sua obra. Porém, para compreendê-lo é preciso em primeiro lugar mergulhar na história da arte, não apenas moderna. Em toda ela. Pra entender como a Arte vem antecipando os movimentos da sociedade. Ora espelha, ora antecipa.

Duchamp espelhou e antecipou o mundo : como somos. E que recentemente revelamos, mas mal (re)conhecemos..

Tudo isso como preâmbulo para indicar a graphic novel ‘Building Stories’. Tive acesso a uma parte do material,  muiiiiito bom!!! É enredo que se conta com imagens na maior parte do tempo, criando a atmosfera pelo acúmulo de situações e um tempo que não parece passar apesar de todo o relato de situações.. Só vendo.. Aqui no Brasil já vendem em inglês.

Nesta matéria o autor, Chris Wave relata a influência que sofreu de Duchamp , explícita em toda a produção : a composição da caixa, seus livros, livretos, flip book, graphic que compõem o produto, e são lidos sem qualquer orientação quanto, início, meio e fim.

E – naturalmente – é recorrente você sentir necessidade de reler o material em função das inúmeras relações possíveis.

Suco Verde – Preparo

setembro 27, 2012

O Paradoxal mito da cidade maravilhosa e fulgaz

julho 23, 2012

Uma fresta no tempo-espaço para ‘aqui’ permanecer, e em resistência alquímica compreender a quem sustenta este mito fulgaz: a cidade maravilhosa

Índio turísta e Branco verde

junho 23, 2012

Uma coisa me chamou a atenção nesta Rio+20: os índios fotografando(como turístas), usando copos de plástico, bebendo cerveja, usando óculos de grau.. E o julgamento fácil e rasteiro que fazem dos mesmos.

Não sou purista. Não acho que temos o direito de condená-los pelo afastamento das raízes. Seja o mesmo momentâneo ou definitivo. Nós que, por um lado, roubamos suas terras, e que por outro, também temos raízes que pouco valorizamos. Mas….preferimos inventar culturas. Boas e ruins.. Inclusive a infeliz cultura do preconceito que julga sem conhecer a experiência do outro (isso renderia muito papo, mas meu foco agora é outro).

Curioso foi observar o índio como turísta, invadindo o mundo civilizado, camuflado pela nossa cultura! Que inversão fantástica!

A leitura óbvia é a inversão de posições. Eles – apetrechados de nossa cultura – na contrapartida da discussão que propomos, em prol da sustentabilidade/ economia verde. Mas se aproximaram para se preservarem. Eis que as imagens, os registros comportamentais, nos permitem enxergar que estamos de alguma maneira sim, convergindo para uma cultura diversa. Mas atualmente, esta cultura se manifesta por uma hegemonia em escala global. Ambiguidades…

Estamos convergindo e nos encontramos (no extremo ocidente)a meio caminho de um certo caminho do meio(sabedoria oriental). Possibilidade incrível com a propriedade de nos libertar das posições de ataque ou defesa(guerra e paz), com as quais erguemos a cultura ocidental(hoje global)…

Imagine-se livre das posições extremadas que criam oposições e toda sorte de fanatismo. Onde o drama é o eixo fundamental dessa cultura de atrito. E o nosso sangue o espírito-combustível. Mas esse mundo está afundando.. E a sociedade emerge mais madura(à passos de cágado mas, emerge). Dela depende: o fim do teatro-político, a transformação do cenário terrestre e a emancipação do personagem humano em homem de verdade.

Mas a ambiguidade ainda existe: Gostei e não gostei de ver os índios fantasiados de civilizados. Abri um sorriso instintivo que ainda tô digerindo, mas acho que compreendo o espírito da coisa.

Cadê o formador de opinião brasileiro?

abril 1, 2012

O mundo contemporâneo produz boçalidades ‘do tipo Michel Teló’ , que soeguido, da noite para o dia,  à categoria de celebridade, passa a influenciar os desprovidos de cultura/ formação substancial, ou simplesmente, os desprovidos de bomsenso. Na realidade influi até na vida de quem se acha longe disso tudo, uma vez que o brasileiro médio ainda vive como orangotangos bem adestrados pela tv seriada, a reproduzir gracejos novelescos – o que significa piadinhas pseudo inspiradas. Uma tragédia contemporânea originária dos primeiros ecos de nossa subtalhada consciência civililadora.

A sociedade está longe do alvo principal de toda a corrupção que assola o país, ao mirar Michels Telós e Renatas Canvas. Exposta como o algoz e não à toa vestida de fera no padrão  ‘oncinhas’, em recente reportagem do Fantástico sobre a corrupção em hospitais públicos brasileiros. Como se o Brasil inteiro não soubesse que licitação pública, neste país, é sinônimo de corrupção, nos voltamos à superfície do problema e elegemos a ‘mulher de oncinha’ pra Cristo. Mas o que fazemos sobre as licitações corruptas? Piada e nada além.

O pior em nossa sociedade é a insuficiência de formadores de opinião conscientes dos absurdos da política praticada no Brasil – corrupta, desumana, lesadora dos direitos e do patrimônio do brasileiro -  que pouco ou simplesmente nada fazem para ajudar na ampliação das consciências.

Todos sabemos que sair da chamada ‘zona de conforto’ não é para qq um, e que a maioria não o faz.

Mas tem gente que, detém tantos espaços e obteve tantas oportunidades de atingir o grande público que deveria atuar como transformadora da sociedade. Cadê a responsabilidade social da opinião pública brasileira??????? Cadê os ‘melhor servidos de consciência?’ Por que não doam um pouco do que possuem, em termos de reflexão compartilhada e esclarecimento, para ativar as consciências alheiras? Há dentre literatas, artistas plásticos, atores, músicos e empresários da cultura gente muito bem preparada e disposta. Por que não reunir estas forças e empreender uma faxina na nossa política? Só depende de nós não sermos mais separativístas e nos posicionarmos nos limites dos eixos curtos de nossas especialidades. Só depende de nós reunir as forças entendendo que arte de verdade é muito mais um modo de fazer, do que uma ou outra prática de status e mercados duvidosos, pois especulativos.

Só depende de nós ampliar a consciência de todos os nossos irmão. Somos todos humanos e merecedores de recursos, oportunidades e realização de sonhos.

 

O que é o que é? Uma besta made in Brasil doida pra engolir o mundo.

março 25, 2012

Canso de dizer que o Eike pode acabar com o Brasil com seu projeto de ‘mais rico do mundo’. Por que essa bestialidade significa: as nossas custas – duplamente. Primeiro pq o país é nosso e não apenas de um cabra com capital de giro milionário desde o berço.

Em segundo lugar, imaginem o quanto ele ainda vai emburacar/ou esburacar o Brasil e detonar o meio-ambiente mundial com o Poder que tem pra explorar as ‘nossas’ riquezas, profundezas abaixo e ao largo de um país continental¿!

Precisou o filhote fazer lambança pra que algo de podre viesse à tona e surtisse efeito na superfície do senso comum.

Sem noção quem se diz bem fora do Brasil por causa da corrupção, dos políticos (aliás, contemporaneamente, uma coisa é quase sinônimo da outra). Falar mal do país é fácil, de longe então deve ser algum tipo de passa-tempo viral. Mas cogitar construir algo melhor nem pensar.

É

março 18, 2012

Hoje. Uma vontade de dar um pé na bunda desse mundo medonho, de algum jeito que não seja radical. Como parece impossível, sejamos enfim racionais. Não vou mais me adaptar. Uma certeza libertária! Mas a M continua e o problema é a perspectiva do volume.. O telefone toca, a voz carinhosa de um amigo das antigas, viajante e artistão, foi o suficiente pra transformar o meu astral.

Do que que eu estava falando mesmo?!?…

Dizem que Shopenhauer era pessimísta, mas pouco se fala sobre a competição intelectual e mau declarada, quase silenciosa, entre ele e sua mãe. Não à toa ele era duro e, em geral, vacilava quando o tema de seus escritos era a mulher.

Octagenário, sozinho e perto de morrer, sua obra maior, O Mundo como Vontade e como Representação, finalmente caiu nas graças dos intelectuais literatas e ganhou uma edição digna e elogiadíssima. O fato transformou seu fim de vida radicalmente. De amargo ele tornou-se pleno – sempre soube do valor daquela obra e vivera o suficiente para vê-la nascer para o mundo.

Rumino… A cultura do conhecimento não chega aos pés da sabedoria oriental (das tradições milenares). Enquanto a primeira tem seu lado ‘masturbatório’ – necessita se apoiar na imagem de um outro que a satisfaça – a segunda não precisa de nada. Simplesmente é.

ECAD cobra do próprio autor ?!?

março 11, 2012

Protejam seus blogs do ECAD! Ele quer fazer fortuna as nossas custas!

http://oglobo.globo.com/cultura/ecad-cobra-taxa-mensal-de-blogs-que-utilizam-videos-do-youtube-4233380

Tô cheia de reclamar dos serviços mau feitos, deturpados, lesadores e corruptos. Os exemplos são muitos, e todos conhecemos. Mas pra citar o absurdo da coisa, o Procon, que deveria estar ao nosso lado, é um embuste arrumadinho. Enrola horrores e bem maquia sua atuação. O Direito do Consumidor existe mas as lojas estão cheias de condições que burlam o mesmo e ninguém resolve isso! É estarrecedora, por exemplo, a quantidade de casos de abuso na cobrança e prestação de serviços ‘não solicitados’ no sistema de telefonia/celulares, que chega ao Procon. E as questões não são resolvidas, nunca! E se reproduzem anos a fio.. Mas os jornais continuam a publicar casos resolvidos pelo Procon. O que serve para que a opinião pública acredite no sistema e – através de sua máxima ignorância – o valide! E tudo continua igual.

Quem tem o Poder, nesta filosofia macabra de ‘consumísmo vazio’, na qual vive-se, é o consumidor. Mas um Poder sem Consciência é um prato feito para a corrupção desta política brasileira. A qual, infelizmente, em maior ou menor grau, sustentamos.

Não sou e nunca fui consumísta. Ainda assim estou repensando tudo aquilo que consumo e sei que vou descobrir, ainda que poucos, alguns excessos. Por que, em sociedade, não consumismo sozinhos. Consumísmo além dos próprios gostos, somos também movidos pelo inconsciente coletivo. Mas podemos acordar desta aberração de vida.

Intimidada

março 4, 2012

Está insuportável este Plutão na minha décima casa. Já não tenho mais pelinhas nos dedos só desrelevos, crateras e pitadas de sangue.

A esperança no mundo anda por um fio. Adaptar a natureza a cultura nunca foi um ideal. Da vida se aprende que ideais não passam de mortes anunciadas. Melhor não habituar-se.

Adaptar a natureza a cultura é uma estratégia que reconheço, lutei muito para não seguir. E hoje alimento para sobreviver, embora ainda assim resguardo-me com reservas. Desejo outro caminho, e sonho com ramificações criativas.

A adaptação é propriedade dos fortes, mesmo antes de Darwin, havia o consenso dos naturalistas. E eu me sinto cada vez mais fraca e inútil perante a massa desumana que alimenta o consumísmo e destrói a Terra. A subverção cultural é o caminho, o qual apontam antropólogos, sociólogos, historiadores, artistas contemporâneos e até psicanalistas. Eu sinceramente não sei. Precisaríamos de muitos de nós para criar esta estrada e fazer frente a ausência de consciência majoritária. Seria preciso transformar o sistema por inteiro. E quando chego a este ponto da reflexão, mais interessantes parecem as ramificações criativas.

Tudo pode piorar quando plutão se opuser a minha lua. Pois ele está lá no alto na 10ª casa e ela é nativa de suas próprias origens, lá embaixo na 4ª casa. Um céu que tende a cair do alto de suas razões profundamente devastadoras sobre uma terra tão primitiva e obscuramente feminina, enlaçados por uma atração fatal. Cedo ou tarde tudo finda. Mas quando é com sua Mãe não há razão que lhe preserve o espírito da dor.

Espero estar enganada e não saber coisa alguma sobre estrelas e homens. Espero o desapego da lua próxima à lilith, presa a sombra, refém da própria intimidade.

Rio Apocalipse Now

fevereiro 9, 2012

Rio de Janeiro feio. Pessoas mau educadas e grosseiras. Sujeira por todo lado, jovens de ‘griffe’ furando a fila do ônibus na maior cara de pau, um senhor joga sujeira no chão, meninos-crianças jogadas no Centro invadindo o ônibus pela janela, mendigando em massa. Você tenta seguir o seu caminho mas pessoas esbarram em ti sem nem te olhar, como se você não existisse e você não sai do lugar.

Uma multidão de olhares perdidos.

Dia após dia é o que vejo num trajeto curto para o trabalho. A sorte/benção é que o mesmo compensa o trajeto deprê. Hoje, ao retornar distraída olhando pela janela senti uma jamanta sentar ao meu lado. Nãao! Era uma jovem magrinha mas espaçosa como poucos. Sem se retratar, oriunda do seu mundo paralelo abriu a bolsa com a mesma brutalidade peculiar e sacou a revista Caras.. Como não acreditar no apocalipse?


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