A velha nova história sobre os níveis de consciência que os seres humanos possuem e mal se dão conta.
Embora esteja cada vez menos comendo carboidratos, compro pelo menos uma vez por mês o Pão Bento. Dizem, é feito em moinho de pedra na ilha do governador. Escolho sempre o pão integral preto, uma delícia para o meu paladar.
Da última vez, enquanto procurava a data de validade no saco, me dei conta que era de plástico. Puts, que droga! Os caras fazem um pão delícia e metem dentro de embalagem plástica.
Não podemos desconsiderar que alimentar a produção de plástico é contribuir com um processo de desequilíbrio ambiental em devastador ‘progresso’.
Enquanto eu e minha consciência estávamos conjecturando com o saco de pão erguido na altura dos olhos, uma senhora desconhecida apontou para o mesmo e disse :
“Esquisito esse pão preto, duro! Tem gosto não, né.”
Não captei se era afirmação ou pergunta. Disse sorrindo:
“Eu gosto. Pra quem se habituou a comer pão torradinho, sem miolo a base de bromato de potássio, pode parecer esquisito mesmo..”
Ela sorriu de volta:
“Eu adoro pão francês bem torradinho! Sem miolo é claro, pra ficar esbelta!”
Virou-me as costas e correu atrás da amiga :
“Espera Marlene!”
Há pouco eu achava esquisito produzirem pão natural (processo artesanal, tradicional) e embalarem em plástico, material industrial produzido excessivamente em todo o mundo ainda que comprovadamente nocivo à integridade ambiental. Já a senhora que me abordou não compreende a diferença entre o valor nutritivo de um pão produzido através de processo industrial e outro através de processo natural. Concentra-se apenas na aparência que as coisas e ela própria tem. Não alcança que se adoecer de um câncer devastador provocado pelo consumo excessivo de comida industrializada, ou que se a Terra adoece de maneira igualmente devastadora, não haverá aparência que nos salve.
Esquisito é o caos que habita os seres humanos. Mas compreensível.
Falta-nos o discernimento necessário para enxergar a natureza dos diferentes valores em meio ao contexto diverso em que vivemos. O contexto que nos habita. Infelizmente esta noção de base, que é fundamental para o nosso bem-estar é compreendida como alternativa. Inversão de valores típica do mundo moderno, que, em boa parte, substitui o que é natural pelo que é artificial, produtivo e fundamentalmente rentável..
Neste contexto de modernidade, substituímos a noção do experimento como base de autoconhecimento. A Família e a Educação não apenas se adaptaram e seguiram o progresso, como o sistematizaram constituindo nova cultura. O mundo moderno produz conhecimento destinado ao consumo progressivo. Conhecimento que não se experimenta, apenas se apreende e se devora.
Ao nos afastarmos da Natureza, nos afastamos de nós mesmos e perdemos o discernimento perante a Vida.
Pena que dona desconhecida foi atrás de Marlene! Poderia ter me proporcionado um grande aprendizado, se eu conseguisse equalizar a minha linguagem à sua consciência. Gostaria de poder lhe mostrar que o mundo é feito de infindáveis gostos por trás d’ alguns hábitos que desenvolvemos como vícios terminais.
Tags: alimento, comida natural, consciência, embalagem, niveis de consciência, pão bento, plástico