Pensei em como relatar a nossa incursão pelas ruas do Centro do Rio, quando passamos pela feira de antiguidades perto do cais, Arco dos Teles, ccbb, casa França Brasil e por fim pela exposição no Largo das Artes em homenagem à Maria do Carmo Secco, mãe da Aninha minha amiga de outros tempos.. Abandonei a cronologia e exponho inicialmente aquilo que parece ter se transformado no motivo deste meu ateliê: Os Manequins. Imagens por mim inconcebíveis. Tento refletir sobre a insistência com que surgem do nada e naturalmente se postam à frente de minhas buscas focadas em outros assuntos me reconduzindo sem razão de ser, talvez por instinto assumo a captura de suas imagens como se fossem desde sempre minhas.
O que ocorre, remete ainda ao comentário do artista Amador Perez : “…a imagem é que nos escolhe.. “ Quando investimos no processo esta espécie de inversão de papéis torna-se evidente, corriqueira e deliciosamente fluente por que instaura uma aventura misteriosa a qual investimos nossa própria constituição.
Segundo excitadas atendentes, estes manequins aguardam pelo estilísta Yves Saint Laurent, separados de nós, o público, por uma porta de vidro. Como se eu já não os atraísse por intermédio de vitrines, seus reflexos e imagens derivadas em frações as quais reafirmo mais uma vez: por mim inconcebíveis.
Resolvi num impulso fazer as fotos em p e b. Depois percebi que desejava tirar partido de um claro escuro sutil sem grandes contrastes, reduzindo a visibilidade. Desejava com isso tornar visível certa ambiguidade, buscar o meio caminho no tom com o qual se revela a imagem. Meio razão, meio intuição - entre mundos.



