Meditação, Informação, Política e Sociedade

Eu poderia citar aqui dados científicos sobre o exercício da meditação, proporcionando o embasamento que a sociedade absorve como relevante. Mencionar a função dos níveis das ondas mentais: beta, alfa, teta e delta, mas o tema é pra lá de badalado, dados não faltam à sociedade da informação e também para o restante dos mortais que não obstante guiam suas escolhas pelas diretrizes apontadas por formadores de opinião. Hoje em dia, o que mais se consome no mundo é justamente: informação.

Na sociedade contemporânea a informação tem mais valor do que a experiência viva.

Através da meditação podemos observar o entorno com certa isenção partidária ou condicionamento social, melhor nos predispondo ao descondicionamento associado à retomada da experiência de vida. O que significa mergulhar numa primeira etapa de prática meditativa e orientada pela limpeza mental e emocional, reduzindo o nível de aceleração da freqüência mental, excessivamente acelerada na atualidade, atingindo o relaxamento e revelando benefícios em toda a constituição corporal.

Se focados numa consciência transformadora e renovada, podemos atingir o esvaziamento de conceitos, opiniões e argumentos de cunho puramente intelectualizados, abrindo espaços próprios de reconhecimento interno e necessidades intrínsecas. É quando estamos aptos à perceber certa vocação existencial ou aonde a vontade ‘in natura’ pode ser melhor acessada. Justo aonde o coração andava adormecido ou à deriva.

As nossas energias são consumidas até a última gota, ao investirmos numa realidade baseada na política que nos instrumentaliza através da educação e do trabalho compromentidos com os valores de um sistema corrupto e em franco processo de falência. Por trás desta constatação que não é nenhuma novidade, cada um de nós pode perceber num rápido exercício de observação(= meditar), tudo aquilo que lhe tem ‘roubado’ a energia e constatar o seu grau de envolvimento com o processo. O quanto tem investido numa filosofia de vida que de fato não suporta, pois não atende seus anseios mais íntimos e acaba por lhe frustrar a manifestação expressiva sem a qual somos incompletos e sujeitos a patologias de toda ordem.

Esta realidade, na qual investimos nossas vidas, foi amplamante enraizada pelo senso comum e tornou-se tradição.

À quem serve uma tradição que não se baseia em ressonância interior?

Estamos comprometidos com o continuísmo do ‘progresso’ oriundo de políticas que nada ou muito pouco nos trazem em reais benefícios sociais. Não percebemos ainda, concentrados nas vítimas que imaginamos ser, que, quem move o mundo de hoje somos nós, a chamada: Sociedade. Embora ainda não tenhamos despertado à consciência que a Humanidade requer, estamos despertando aos poucos através do amor incondicional a Vida, aonde ainda hoje existe separativísmo.

O separativísmo é a filosofia de vida que rege as diretrizes do mundo. E nem com todo o progresso que conquistamos, tal premissa sucumbiu. Vivemos numa sociedade que valoriza distinções de gênero, raça, moda, ou seja lá qual for o argumento do momento, uma vez escolhido, será devidamente, capitalizado.

É na construção desta filosofia ’sem pai nem mãe’, um mundo sem alma, que queremos continuar investindo nossos melhores esforços?

A meditação orientada em função das questões psico-emocionais que cada vez mais atingem o indivíduo carente de manifestação expressiva adequada, é um bálsamo que auxilia à tranquilizar o pensamento: afoito, ansioso, inseguro, nervoso, selvagem, medroso, inquieto, obsessivo e confuso, que muitas vezes nos leva abruptamente a respirar fundo – como se este simples ato, base de nossa natureza, precisasse de situações limites para que dele nos lembrássemos e somente assim aprofundássemos o inspirar…

Meditar é intrumento de autoconhecimento e pode significar para muitos auto-cura, uma vez que a prática nos auxilia a organizar e a clarear o pensamento que se torna apto a reconhecer motivações genuínas. Portanto: senhor de si e do corpo que conduz.

Somos ainda capazes de experimentar a Vida independente das condições e valores sociais?

Ou simplesmente perdemos a capacidade de reconhecer que erramos sistematicamente em não desenvolver capacidades próprias, como pensar e elaborar opiniões ao invés de capturar as opiniões alheias, por que bem conceituadas ou simplesmente porque é cansativo pensar e nem educados para tanto nós fomos?

Somos capazes de tudo aquilo que nos propusermos de maneira consciente, respeitando acima de tudo à nós mesmos. Mas é preciso chamar a responsabilidade para si, com coragem e discernimento pra enfrentar todo um mundo que vem na contramão. Um senhor passo para chegar ao outro com isenção de carências, respeito e compaixão.

Podemos, por meios políticos, reverter as condições sociais à nosso favor?

Mais do que no poder político a orientar massas, eu acredito na consciência desperta individualmente e manifesta pelo livre fluxo de nossas possibilidades em convergência. Não vejo grande futuro para profissões idealizadas como suporte à uma filosofia de mundo em declínio. Os políticos que aí estão(guardadas raríssimas exceções), foram ‘educados’ para serem funcionários da máquina, não possuem ideais muito menos princípios. É meio óbvio não? Nem tanto, o tal declínio das instituições não ‘derruba da noite para o dia’ tudo o que é preciso derrubar. Não dá mais para acreditar na Educação que forma funcionários e aborta os homens que poderíamos ser. O autoconhecimento é portanto, pré-requisito de uma educação de valores realmente democráticos, que proporcione a emancipação de consciências através do potencial individual. Sem quaisquer priorização quando a valorização dos potenciais, tendo o princípio ético como referência à Justiça igualitária. Assim é possível o esvaziamento de tudo aquilo que não nos serve à manifestação, e já vem há algum tempo ganhando expressão nas inúmeras instituições sociais que andam perdendo o sentido.

Sem qualquer sombra de desejos destrutivos, o que seria continuar a alimentar a velha civilização com o seu combustível predileto. Mas ciente da dinâmica das energias é natural a troca de ‘ares’…

Que ultrapassemos a histórica saga de dependência ao Poder pelo esvaziamento progressivo de um sistema manipulador, através do investimento em relações de elevado valor humano.

Encerrando eu diria que a Educação não é nada caso não privilegie o Autoconhecimento. E que a meditação é um de seus instrumentos fundamentais, uma vez que propicia manifestação, desenvolvimento e equilíbrio ao campo psico-emocional.

 

Anúncios

Tags: , , , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: