Que Viva México! – Eisenstein

1931/1979 – Direção de Sergey Eisenstein – Produção: Grigory Alexandrov – Fotografia : Eduardo Tisse – Reconstrução : Grigory Alexandrov – Nikita Orlov. 85 mins. – p e b.

Da filmagem até a edição finalizada foram-se quase 50 anos. Problemas com a produção em Hollywood acabaram por inviabilizar a edição e infelizmente Eisenstein não pode editar o seu filme e faleceu antes de vê-lo pronto. Em 1979 Alexandrov editou a versão definitiva obedecendo fielmente ao projeto original, através das enormes anotações e storyboard de Eisenstein.

O produto final possui o espírito e talento do cineasta que nos revela um México encantador, brutal, passional, mágico e surreal. Das violentas touradas e expurgo animal dos instintos humanos, passando pela sensual extração da seiva dos cactos por sucção; imagens exóticas nos desertos de Tehuantepec e o envolvente ‘Dia dos Mortos’ que perpetua uma divertida imagem da caveira como alegoria festiva presente em taças, máscaras ou esculpidas no chocolate alimentando sonhos e prazeres de crianças sorridentes.

É um filme belíssimo cuja a narração característica de Eisenstein, dedica-se à exposição de pequenas histórias num misto de documentário e ficção bem acasalados.

Que Viva México é um filme narrado com vigor e pedagogia suficiente para se fazer pensar até os mais preguiçosos expectadores. Imagens sedutoras construídas com rigor, numa verdadeira colcha de retalhos que caracteriza a riqueza histórica e cultural revelada por sua orientação política e social. São dramas de vida e morte que pulsam visceralmente.

A condição do filme em preto e branco me fugiu por completo em função da imaginação fortemente atiçada pela linguagem desenvolvida. Enfatizo os enquadramentos e detalhamento na composição das imagens. Confesso que, mesmo sabendo que o filme fora rodado por completo em p e b, revi várias sequências do deserto de Tehuantepec em busca da sensação que me impregnou o espírito de tons terra, por vezes árido ou cru e até avermelhado pelo gosto final de sangue, chocolate de caveiras e sorrisos ensolarados.

Da simplicidade de seus recursos ao esmero da narrativa, estruturação e costura fílmica(montagem), Eisenstein é sempre uma aula de visualidade, observação e vida.

 

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