ToKyo GA – Wim Wenders

Tokyo GA – Documentário. 91 mins – Wim Wenders com participação de Werner Herzog.

 

É mais um documentário em que Wim Wenders desenvolve a sua preocupação quanto a perda da identidade, utilizando a sociedade japonesa moderna como contra-ponto aos filmes do cineasta Yasujiro Ozu, em busca da Tokyo perdida.

 

Na base do enredo temos a profusão das imagens audiovisuais perdidas em seu sentido, capturadas por Wim, desde o telão mudo do avião em que viajou para o Japão, até as inúmeras televisões encontradas por toda parte num país que parece completamente hipnotizado por imagens sem sentido. O que é revelado pelas tvs sem som, posicionadas nas ruas sem qualquer audiência, interesse, função.. Um paralelo que podemos encontrar facilmente por aqui são as tvs mudas em bares e restaurantes.

 

É bom lembrar que o diretor deixa claro desde o início que suas impressões quanto ao documentário, Tokyo GA, apesar das especificidades naturais da cultura local, cada vez mais remetem ao homem de qualquer parte, perdido num mundo de imagens sem sentido.

 

Ele se questiona e questiona também o diretor Werner Herzog, sobre como poderiam encontrar as verdadeiras imagens do mundo, em tal estágio de contaminação audiovisual. Herzog diz que é preciso uma espécie de escavação para encontrar algo de verdadeiramente autêntico e que gostaria de participar de uma viagem da NASA para Marte, para ver algo de realmente novo. Já Wenders, orienta-se através dos pequenos atos de revolta que as crianças, em meio a rotina do dia-a-dia, expressam. Ele considera estes atos como um retorno às imagens puras e verdadeiramente autênticas dos filmes de Ozu.

 

Outros contra-pontos aos filmes naturalistas de Ozu, são atividades altamente massificadas no Japão, como: o golfe, o pinball e a construção de comida japonesa para vitrines de restaurantes. As comidas são feita de cêra e o processo artesanal é muito próximo a confecção da comida verdadeira. Wenders desejou fechar esta seqüência com imagens dos artistas comendo a comida verdadeira que trazem de casa em meio aquelas que constroem no trabalho. Apesar de óbvio, Wenders confessou não poder deixar de pensar no artesão comendo um sushi de cêra. Mas não lhe foi permitido filmar a equipe almoçando.

 

Incrível o paralelo que Wenders consegue na construção de sua narrativa, ao revelar como o nosso condicionamento pode ser hipnótico, nos fazendo esquecer de nós mesmos, da vida que algum dia tivemos, pelo menos enquanto crianças, quando brincávamos nas praças ou em casa ao ritmo de nossas próprias emoções e vocações interiores.

 

Tokyo GA surgiu enquanto Wenders filmava ‘Paris Texas’. Ele viajou por duas semanas para o Japão, estimulado pelos filmes de Ozu. Conseguiu entrevistar seu câmera e ator mais utilizado, obtendo entrevistas de real sensibilidade, amor e respeito pela vida. A equipe de Ozu tinha-o como um sábio, homem simples de poucas palavras, mas que possuía o raro dom de tirar de sua equipe o melhor que cada um poderia dar.

Anúncios

Tags: , , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: