Foco, Concentração e Hábito

Tenho uma sobrinha de 2 anos, quase 3. Um ser que me faz pensar mais uma vez no princípio das coisas. Através dela enxergo ou imagino uma maneira diferente de enxergar velhos questionamentos.

Pra mim as crianças são gênios que vão se perdendo em meio a sociedade. Enquanto Homens são Deuses brincando de cobaias de si mesmo. Reproduzem vidas como quem ensaia viver.

Ia atravessar o sinal quando vi uma menina da idade da minha sobrinha sentada numa dessas cadeirinhas que carregam bebês. E me perguntei: Pra que carregar num carrinho de bebê uma criança que pode andar com as próprias pernas?

Não era a primeira vez que eu via uma cena como aquela. Embora me questionasse a respeito do que seus pais pensam da capacidade de sua filha, se é que se preocupam em pensar sobre isso, o que me deixou de queixo caido realmente foi observar aquela criança tão grande para um carrinho de bebê, mas tão pequena para tudo o mais, roer as unhas com tamanha destreza.

Tinha os olhinhos entretidos no além e roia a unha do dedinho gorducho fazendo um movimento em arco que eu conheço bem. Tentei me concentrar ao máximo para ver se alguma pelinha ou fiapo de unha era decepada do dedo. Queria saber se ela estava apenas reproduzindo o movimento. Não consegui definir a situação e olhava a menina como se ela fosse a cobaia da vez.

Estranhamente me senti como se fosse uma câmera, uma máquina que observava com frieza. Era a pretensão de tudo saber, julgar, ser como acredita-se que Deus é. Como se Deus fosse perfeito. Deus não é perfeito. Deus é completo.

Pra variar pensava demais: A menina não nasceu roendo as unhas.., somos filhos da mimesis.. Somos?.. E seus pais? Certamente vem daí o hábito de roer unhas. Mas será que ela simplesmente reproduz um movimento sem sentido, ou aqueles olhinhos perdidos a esmo tendiam realmente à auto-destruição?

Seria cena ou algo além? Seria cena ou algo aquém?

Qual o sentido por trás daquele e de todos os nossos hábitos?

Será que seus pais percebem? E se percebem, o que pensam a respeito? Não menciono especificamente o hábito em roer as unhas, mas o poder que possuem em influenciar sua filha através de seus exemplos e atitudes. 

Pode parecer um detalhe, um reflexo da sociedade, mas pode ser também o resumo de uma vida e tantas outras..

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