Abrindo os Trabalhos..

Esperei 4 anos para que a especialização em psicologia junguiana, arte e imaginário, na puc, recebesse artistas. O curso era restrito à psicólogos e médicos.

A coordenação desta pós é do prof. Álvaro Gouveia.

Embora eu pudesse optar por cursos excelentes concentrados nas artes visuais – como o da ufrj (onde me formei) – quando num primeiro contato com o curso, buscava compreender se estava no caminho certo de acordo com as minhas motivações mais sinceras,  descobri que não desejava dar continuidade a vida acadêmica pelo viéis da história da arte, o que confere certo comprometimentos com o mercado. Buscava um aprendizado que favorecesse uma maior compreensão da constituição da natureza humana, para com ela poder me comprometer de corpo e alma.

Precisava de certa dose de psicologia. Mas não poderia ser qualquer psicologia. Queria implicar em meus estudos movimentos que empreendo há pelo menos uma década, voltados ao exercício de diversas filosofias compreendidas como alternativas. Embora tais filosofias não estivessem inscritas na minha cultura de mundo ocidental, me pareciam extremamente familiares e contundentes na medida em que me intrumentalizavam na compreensão das condições inerentes a minha constituição física e espiritual. Para tanto é interessante frisar que a meditação é a base de todo o meu processo, mas quem o sustenta é o movimento (qualquer prática física que implique a movimentação do corpo – por inteiro).  Enfim, se fazia urgente me encaminhar na direção de uma maior compreensão: da fisiologia energética, do conceito de consciente, inconsciente e alma, dos fundamentos da imagem, especialmente quanto a sua gênese. 

É portanto, com satisfação, apesar de certa estranheza e um bocado de desconforto produtivo, que me vi em meio a um grupo de professores e colegas, em sua maioria psicólogos.

Seríamos então, eu e meus colegas não psicólogos, uma espécie de invasores bemvindos. A exceção que pr’ além de fugir à regra se reune à ela na tentativa de dar sentido à um 3o. elemento, num movimento de troca inerente a estratégia  interdisciplinar que cada vez mais emerge como vocação de nossos tempos.

Quanto a estranheza.. : Ela é oriunda de minha profunda ignorância quanto a metodologia que compreende o ofício da psicologia, assim como da possibilidade em constituir objeto de estudo.

A satisfação advém da perspectiva de ampliação de minha compreensão acerca da natureza humana, da vida, e, oportunamente, das sufocantes condições sociais.

Quando menciono o ‘desconforto produtivo’, falo especialmente da professora-filósofa, Francimar. Ao meu ver ela se posiciona como o contra-ponto estratégico em relação a base Junguiana  pela qual se orienta o nosso curso. Num resumo tosco da 2a aula referente a condição do artista e da concepção da imagem, baseada em princípios platônicos: O artista é um ser narcisista que através da mimesis tem a pretensão de se assemelhar ao Criador. A criatividade não tem espaço na concepção de realidade platônica. O artista pode apenas imitar a realidade e jamais expressar seu sentimento, conforme a realidade da emoção que experimenta’. Sua produção é representativa e portanto ilusória.

Tive que digerir a situação. A minha pretensão como artista não é transpor meus sentimentos de um canto à outro. Mas a partir deles produzir certa compreensão pessoal e comunicar significados como quem, por exemplo, se vale da escrita ou da oratória para passar uma informação. Neste sentido não percebo a representação formal na produção artistica. 

O que eu preciso, fundamentalmente é dar expressão ao meu mundo interior, esvaziar-me de mim mesma, procurar nos outros o que em nós diverge e reflete. Ter com eles certa cumplicidade em vista da aventura que constitui a vida. Vale frisar que este ‘meu mundo interior’ somente persiste na vontade de se expressar por que é naturalmente instigado pelo entorno. Não vejo função na expressão que não seja associada diretamente à comunicação.

Percebo a arte como uma ponte entre o coração e a mente, seu exercício me é vital como processo estruturador e organizador das ideias. Já a arte idealizada, seus modelos e representações não constitui matéria de interesse pra mim. Acho que é por aí que compreendo e concordo com a Francis.

Por outro lado, não dá pra engolir o seguinte ponto de vista, Platão dividiu as pessoas em 3 tipos:

alma bronze – o grupo mais rude de constituição grosseira, ligado ao comércio, a agricultura e ao artesanato.

alma prata – grupo de virtuosos, corajosos, guerreiros  e guardiões também no sentido religioso.

alma ouro – grupo ligado as ideais, ao diálogo, ao conhecimento da filosofia que elevará a Alma em busca da verdade.

Ou seja, o artesão está enquadrado como alma bronze e o filósofo se auto-intitula, alma ouro !? Depois os narcisistas somos nós os artistas?

Ou eu me equivoquei redondamente, falta algum dado, ou suspeito que Platão quis tirar os artistas da jogada para poder reinar com seus iguais no topo do pedestal sem ter que enfrentar aqueles que certamente questionariam suas posições.

Na minha pequena opinião, as diferenças existem sim e são até óbvias. Mas creio que deveriam ser igualmente valorizadas, cada qual em sua instância. É interessante perceber os tipos, mas esta categorização seria absoluta ou daria margem a uma dupla ou até tripla disposição? Exemplo: o sujeito é um guerreiro, alma prata, mas na mesma medida possui características ligadas a alma bronze, então poderia ser reconhecido como alma bronze-prata?

Não vejo graça, porque isento de significação, numa filosofia sem arte ou numa arte sem filosofia.

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2 Respostas to “Abrindo os Trabalhos..”

  1. Aracelli Says:

    Lindíssima a foto do menino!
    Quanto deslumbramento!
    Lindo quando ele abre a janelinha… Lindo, lindo!
    PARABÉNS

  2. Andreaha San Says:

    Valeu, colega!

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