Associação Índio Camelô – Consumo

A Associação Índio Camelô também foi inspirada, assim como o Manequim Nu (post abaixo deste), pelo tema Consumo.

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A Associação Índio Camelô foi mais um encontro ‘casual’. Cruzava o Largo do Machado quando percebi os índios e o camelô, os primeiros tocando e o último vendendo o CD da dupla. Pedi para fotografar mostrando a câmera, um dos índios permitiu e o camelô ergueu o CD na minha direção enquanto o outro índio parecia assustado com a fotografia.

O som que produziam baseava-se em instrumentos de sopro talhados pelo bambú e outros instrumentos mais exóticos.

Me disseram que vieram do Perú. Um colega da especialização contestou com certa veemência a procedência dos índios afirmando que eram norte-americanos. Simplesmente não sei, o meu olhar estava orientado n’ outro sentido. Por outro lado eles se parecem muito com o biotipo de meus conhecidos peruanos, a Beth, a Carmen e o amigo Alex.

Os colegas observaram com propriedade o quanto os índios estavam distantes da ‘realidades que lhes é tida como inerente’ : seus princípios, cultura, a Natureza e seu habitat. Me fizeram pensar num contra-ponto, ao homem civilizado é facultado o direito a ‘evolução’, a construção de novas dinâmicas, já ao índio não. A minha motivação ao fotografar a trinca foi registrar a relação inédita e ilária que aquelas figuras mantinham: a  associação comercial entre índios e camelô. 

A nossa sociedade, de uma maneira geral e progressiva, sente falta da Natureza. Uma necessidade genuína diga-se de passagem. Acredito ser por esta carência que se julga a opção dos índios como um contra-senso. Talvez eles tenham se encantado pelas luzes da cidades ou qualquer outro atributo que para muitos de nós não passa de mais uma ilusão, mas do qual poucos abrem mão. Talvez sejam mesmo um embuste fabricado. Tudo é possível. Mas e daí?

O que realmente importa? Julgar e demonstrar certo Poder sobre o outro ou observar o que existe por trás de nossos sentimentos quando estimulados pelas impressões que o entorno nos provoca? 

Na última foto desta série o índio tem a língua de fora e o dinheiro na mão. Se minha especulação sobre o seu encantamento tiver alguma razão, ele já está experimentando os prazeres e as amarguras que o dinheiro pode proporcionar. Mesmo que não chegue a lugar algum, a opção é dele, do indivíduo. A realidade é de quem a vivencia.

Do lado de cá, o que estamos fazendo para ir de encontro a Natureza?

 

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