Por Aquilo que Emerge das Entranhas do Ser, as mais Íntimas Propriedades

Na última aula de metodologia da pesquisa da profa Euchares, foi nos deixada a tarefa da investigação do Estado da Arte, o que a grosso modo, se é que entendi, seria a investigação sobre o recorte monográfico, o que existe a respeito, onde e como o tema se insere no que já existe por ai.. Se já estava difícil entender o que eu mesma queria dizer lá do fundo d’ alma, agora apareceu um monólito sem igual à frente. O problema só não é maior por que o monólito não sabe que eu gosto de escaladas. Embora certo medo, está claro que o que me parece obstáculo é de fato uma porta.

Uma porta e um sem número de molhos de chaves… Apenas iniciei a pesquisa e já me encontro perdida cheia em questões. Fiasco..

Basicamente estou revendo a óbvia relação com a arteterapia(a qual respeito e admiro), mas faço ressalvas quanto ao foco na cura terapêutica. Não tenho esta pretensão, pelo menos não no presente momento, embora eu trabalhe também pela transmutação de pontos de vistas.

Estou concentrada no despertar de potenciais e no desenvolvimento de processos. Em outras palavras, pra viver experimento e me encontro no transe da busca inerente as verdadeiras peregrinações, ainda que constitua também um processo agonizante mediante as condições de um mundo miseravelmente separatísta. Portanto, me concentro para me desligar ‘um tanto’ da finalidade das coisas, suas funções, metas , objetivos e da razão ‘prioritária’. Quero o transe da consciência plena e naturalmente feliz. Não é viagem de doidão, não há hipótese de fuga. É desposar o Presente para toda a vida! Este sim, fugaz. Então, como defini-lo? Como proceder para estar em total e absoluta sintonia com o Presente? Creio que apenas sendo o que se é por inteiro. E neste caso, a sintonia com o tempo Presente e a definição do mesmo se encontrariam no sujeito da ação..

O procedimento implica numa postura saudável que pode favorecer ao bem-estar e à uma saúde equilibrada, mas reafirmo: o meu compromisso é com o mergulho no processo, na experiência viva pelo diálogo entre consciência e subconsciência. Se a transmutação e a cura são consequências significa que o caminho é sagrado. Uma espécie de transe hiper-consciente por aquilo que emerge das entranhas do Ser, suas mais íntimas propriedades que precisam ser desenvolvidas.

Acho que me aproximo do percurso final da artista Lygia Clark, quando ela se negou a ser chamada de artista e se orientou pela psicanálise. Para quem não a conhece, ela rompeu com o concretismo e foi fundar o neo-concretismo, reinserindo a experiência na concepção de arte e salvando a alma do inferno, na minha humilde opinião. Afinal que opção mais platônica e ‘quadrada’ aquele ideal racionalísta absoluto dos concretos.

Tirando a Lygia em quem preciso mergulhar, talvez o Helio Oiticica e o próprio Jung que tem em suas memórias passagens sobre a questão do desenho e as questões religiosas que são similares as que tive e já está mais do que na hora de dar sentido. Enfim há também que se considerar um bocado de gente nova surgindo por ai que me interessa enormemente, tanto quanto aqueles que já se foram, muitos dos quais não faço nem ideia.

Me falta a noção do conteúdo e a superpopulação mundial é também responsável por esta minha dificuldade. Não se trata de desculpa. Imaginem apenas o que existe de gente interessante na Ásia… É de perder a noção dos sentidos. Então especulo pelas proximidades mesmo.. Gostaria por exemplo de pensar o ‘fazer artístico’ fora dos centros urbanos, ou simplesmente como venho fazendo ao descondicionar suas instituições através de experiências vivas, – e sem dúvida através deste meu viéis arquetípico da criança interior associado ao mergulho meditativo pela compreensão da alquimia possível através do fazer artistico.

Uma impressão de gravidez e outra de quem não vai conseguir parir mas ensaia compreender o que lhe é realmente necessário.

Fiasco?

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2 Respostas to “Por Aquilo que Emerge das Entranhas do Ser, as mais Íntimas Propriedades”

  1. Aracelli Says:

    Fiasco? Se considera fiasco o livre arbítrio, a imaginação simplesmente pura e livre, mais livre do que pura (em seu sentido genuíno), então você está num completo fiasco! rsss… Mas se esse está num sentido negativo, esquece! Você está mais para o fim desse desenrolo…
    Acho que está indo muito bem… se tivesse tudo muito nítido, você estaria extremamente frustrada! São as inquietações, as inspirações mais loucas, que nos trazem pérolas. Com certeza você sabe bem isso!
    Bjs

  2. Andreaha San Says:

    Fiasco em outro sentido, por natureza tendo a derivar da formatação objetiva. Mediante a possibilidade de um enorme conteúdo pra mergulhar percebi que não sei bem como fazer isso – via bibliotecas?!? Como citei, só na Ásia existe um mundo a parte e pelo pouco que conheço, super interessante… Certamente existe uma conduta diferenciada por lá em relação a educação pela arte, e a alquimia que dela emerge. Uma outra herança, cultura, filosofia de vida e relação com o mundo. Embora as transformações por conta da globalização, de certa maneira nos aproximam especialmente no quesito: cultura contemporânea.

    Além disso, e o resto do mundo?

    Fiasco por todo esse mundão que não consigo enxergar e pela impressão que nem toda a biblioteca disponível e a internet serão suficientes.

    Aracelli eu invejo o seu foco. Relembrando a nossa inspirada ‘professora’ Francimar, quando mencionou o poder motriz da inveja.. Em vários sentidos sou desorientada e fatalmente complexa.

    Eis o Fiasco, falta me a devida objetividade para constituir uma monografia. Estou mais para a tragicomédia ou melhor, meus HQs-pessoais.

    PS: Você me fez lembrar de um livrinho de bolso delícia do Shopenhauer que li no período da universidade, chama-se Livre Arbítrio, imperdível!
    bjs

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