Revoluções Interiores & Mixtério

Infelizmente ou não (como diria Caetano..), nasci Não Linear. Por isso ando penando por não seguir esta não-lineariedade depois de anos abusando da mesma.. Algumas vezes na vida é necessário dar um passo pra trás para poder seguir adiante. Mas é duro! Quando se tem a pintura madura e o fruto caindo por terra.. É duro não poder escrever quando se precisa materializar a ideia-pensamento, é muito duro não brincar com meus hqs experimentais e finalizar a trilogia em webvideo: Internet tem Alma. Faltou editar o último: Qual o Espírito da Internet?. A produção e captura das imagens já data do início do ano. Foi o único que não se definiu em edição logo após sua captura. Ele é pleno em possibilidades, um resumo catatônico dos 2 primeiros vídeos da série. Me inspirou também para um outro projeto que pretendo iniciar em janeiro de 2010 na residência artística que farei em Guadaloupe, Caribe.

Por que o lamento se não gosto de me lamentar? Por que alguma coisa está fora de ordem. E, se mais uma vez me vejo rodeando Caetano é pra que coloque enfim a poesia pra fora. Sai de mim angustia leonina! Já não me cabe mais essa aflição entre guerra e paz. Um sentimento que persiste sem nostalgia alguma que lhe permita a latência sem sentido. Seria um tropeço numa fenda do espaço? Gosto da ideia de que este sentimento mais fora de sintonia com meus pensamentos bem poderia ser, uma aberração tempo-espacial. Mas só louca – por completo (é bom frisar por que sempre tem um ‘amigo’ que vai se ater: ‘Ué? Mas você é louca mesmo, por que negar?!’) – não perceberia o quão revolucionariamente se move em avalanches o poder das águas(=emoções). E, por causa delas, estou aqui agora parando tudo, na tentativa de capturar a sintonia com o pensamento. Viva as tisunamis interiores!

Adeus homem de outrora! Consigo vai uma parte de mim  sem olhar pra trás.

E o lamento mais fora de ordem se deve ao Ser por Inteiro que, mais do que nunca, deseja dar voltas espirais. Que martírio percorrer uma linha reta, trilho, baia, fila, demarcação espacial que me contenha e formate. Identidade tem princípio? Parece que sim, resta saber se conveniente ou não. Eu me pergunto sobre a sua contundência em relação a nossa Natureza e propriedades. A função social é historicamente óbvia.  É necessário se enquadrar caso se almeje o sentido através da forma.

Conheci apenas um homem que prescindia do desejo de forma. Era doce, lindo de corpo e alma, parecia até um santo, mas ainda assim me causava certa estranheza. Através dele percebi como é contundente para o mundo em que vivemos, o sentido através da forma. E desisti de certa resistência infantil a matéria realizando o quanto a possibilidade de materialização me satisfazia. Alguma coisa lá dentro dizia baixinho: ‘Bonitinho mas ordinário!’ Eu relutava: ‘Mas é quase um santo, lindo de cima abaixo, por dentro e por fora!’ E a mesma vozinha já querendo ir, se foi enquanto completava: ‘Quase não é coisa alguma, falta-lhe humanidade…’

Uma identidade volátil como a que possuo, à la ‘mercúrius solubilis’, não se dá as interpretações. Há sempre um mistério no ar. Um mistério feito de muitas propriedades, tendências, invisibilidades e oposições latentes – um MiXtério. Mercúrio (c12) em oposição a Plutão(c6) / Sei o quanto uma identidade claramente definida é porto seguro na compreensão social, pois para esta – ainda – é de difícil compreensão tudo aquilo que se move, se transforma e não se apega ou pelo menos por isso se move. É o oposto do pensar em massa, baseado no senso comum das tradições e rotinas do cotidiano. Sol na cúspide do ascendente em oposição a Urano conjunto a Júpiter(c7).

Já derivei horrores por não me enxergar misturada no mundão social. Enfim, quando me vi lá, estava diante de coisa alguma. Cedo percebi a que grau de miserável solidão se entrega o homem inconsciente de si-próprio. Vivi esta inconsciência na relação de infância e adolescência com meus pais e depois, talvez por contágio, enxergava tudo como podia enxergar, embora sempre com incômodo, estranheza, e uma vontade de ver a própria espécie pelas costas: ‘Entidade daninha!’ Ebulições juvenis à parte, e apesar dos ‘upgrades’ de consciência, a inconsciência na sociedade ainda é enorme e naturalmente caracteriza a todos nós, independente das inúmeras diferenças conscienciais. Neste modelo de sociedade a maioria prevalece. Dizem que em terra de cego quem tem um olho é rei, concordo se a filosofia desta terra for regida, como é na nossa, pela visibilidade e sacralização da imagem. Neste caso, siiiim! O zoiúdo é rei! Mas se a filosofia desta terra for regida por outro sentido? Ou mesmo pelo acesso ao subconsciente? O zoiúdo precisaria ser expert em ‘subjetividade’, do contrário não teria chance.

A sociedade ainda é uma miragem, não condiz com as imensas propriedades de nossa humanidade.

O que há de transformador em ‘Ser’ é lidar com o outro que há em si-mesmo.

Hoje eu sei quem sou. Reconheço tanto o deus quanto o demônio que há em mim. E isso não foi, nãe é fácil, mas é preciso desenvolver. Amo a volatibilidade de antigas confusões por que o suporte social não parecia ser o ideal.. Realmente não é. Em minha – hoje reconhecida, por que compreendida – volatibilidade, vislumbro formas que assim que puder por-lhes as mãos, instantâneamente tornar-se-ão matéria da mais pura realidade, concebida no âmago de minha autêntica vulnerabilidade. Ah!!!! Quando eu puder por as mãos!

Há quem trabalhe contra a cultura e pense sinceramente que tal atitude seja revolucionária ou algo parecido. Não passa do outro lado da mesma moeda : uma sociedade baseada em poder, medo e movimentos insanos em massa. Eu prefiro o movimento compensatório das ramificações, reconhecendo acertos e erros. Compensação se aprende e se desenvolve na justa medida de um olhar consciente sobre os paradoxos das experiências humanas. Tensão é um caminho fértil disfarçado por dor e sacrifício. Mais adiante, você percebe nesta relação o delírio, e mais adiante ainda, constrói um caminho próprio sem ter que destruir nada que já não esteja em ruínas.

Ufa! Escrever é um bálsamo. Eu recomendo!

No mais valeu Cosmo! Tirando as pendências que nós acertamos com o tempo, transformaste um ano tenebroso em compreensão. Onde ainda há neblina suficiente para se suspeitar dos benefícios já recolhidos. Mas como ex-míope de nascença aprendi a enxergar no quase escuro. Vejo por entre a neblina, brilho aqui e ali, reflexo de alguma coisa que ainda não sei o que é. Ele está em toda parte. Nem confusa, nem excessivamente curiosa, vou deixar a neblina se esvair. Não tem pressa hoje que me abale, corrompa ou exalte. Se antes me irritava ser duplamente ariana com marte residente em sagitário, hoje muito agradeço essa exuberância de entusiamo pelo devido conhecimento. E se é devido, por que sair do prumo?

As citações astrológicas se devem, ao incitar promovido pela abertura do curso de astrologia: Diferenças que unem – a arte de se relacionar, da Claudia Lisboa . Conheço astrologia desde garota e foi muiiito bom reaver a disciplina através de uma natureza tão sensivelmente banhada por sua arte (= techné=hefestos=prática=magia).

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