Educação tem Idade?

Estava no banco Real pra pagar uma conta. Tirei minha senha na maquininha e descobri que haviam 2 botões, um para todos e outro para os idosos. Sentei e aguardei a minha vez. Olhei no letreiro eletrônico, haviam ‘apenas’ 28 números na minha frente. Comecei a reorientar os meus afazeres para poder encarar aquele enorme e inusitado atraso na minha programação. Entrou um senhor, apertou o botão para idosos, retirou sua senha e apertou também o botão para todos e retirou a segunda senha. A cena se repetiu na figura de uma senhora, também na faixa dos idosos beneficiados pelo mérito de possuir caixas exclusivos.

Primeiro a gente se inquieta com a situação, questiona-se, depois sente culpa por que está sendo miserável com os ‘velhinhos’. Mas enfim reflete profundamente e percebe que já não existem idosos como antigamente. Na realidade, o clichê procede: tudo se transforma o tempo todo. No caso da pós modernidade, o tempo parece ser pequeno para a quantidade de ocorrências e derivações de comportamentos. O que exige certo comprometimento da percepção com a dinâmica contemporânea. Significa estar sempre preparado para refletir, considerar e reconsiderar posições. Mas como adaptar esta filosofia de vida à realidade tão aparentemente adversa, da 3a idade? É neste estágio da vida que o homem contemporâneo ocidental, ou ocidentalizado, se permite relaxar da imensa concentração que exigiu a vida dedicada ao trabalho. O jeito é adaptar este ocidental a nova filosofia de vida, e não ao contrário. Uma vez que esta lhe resgataria a posição social semelhante a de outrora, quando a sabedoria que se adquire durante a vida, encontra no homem a maturidade. Seria o resgate do valor humano acima de qualquer condição social.

Aproveito para dizer que sou Sim favorável a exclusividade no atendimento e benefícios adquiridos pela ‘melhor idade’. Mas não compactuo com os excessos que subvertem as regras que estariam aí para servir a comunidade, em cada segmento que a constitui.  A atuação dos senhores ‘idosos’ me parece portanto o pior dos mau-exemplos. Pois ali estaria alguém que deveria atuar com maiores princípios. Mas o que se vê é a ausência de respeito ao próximo. Tal comportamento vem justo da classe que mais ouço; pelas ruas, ônibus, bares, restaurantes, banco, padarias e farmácias; reclamar sobre o desrespeito dos jovens! Filho de peixe.. Imagina neto?!?

A pergunta que sintetiza o problema, é: Seria portanto, o exemplo citado, em meio a tantos outros atos de senhores idosos desesperançados, um ato reativo a sociedade? Que opção mais infantilmente autodestruitiva!

O que me levou a este post, foi um misto de sentimentos, que já expus aqui. Acima de tudo a clareza que cada vez mais noto emergir de minha lúdica personalidade. Hoje, a reflexão é uma prática de princípio. Antes era diferente, por vezes refletia, por vezes reagia. Percebo que a constituição da reflexão antes de qualquer reação, é fruto da prática meditativa. Depois de 13 anos, hoje facilmente emerge de minha intimidade meditativa, um natural transbordar em atitudes e momentos cotidianos de renovada reflexão e consenso pessoal(por que apesar da tal da história sobre, identidade, somos muitos querendo ser apenas um).

Aos senhores, idosos, os meus sinceros respeitos. Porém é com tristeza que afirmo, infelizmente tenho escutado destes as intransigências e até rabujentices, de quem não soube e ainda não sabe lidar com os ruídos do convívio social. O que não constitui (os ruídos) ameaça velada à uma ou outra classe, mas pode proporcionar aos mais despertos de espírito, exercício de humanidade. Somente em sociedade podemos corrigir à nós mesmos, traduzindo nela os nossos melhores esforços.

Penso que educação e gentileza não tem idade. É pra vida toda, e diferente do que se apregoa, não depende do estudo formal. Depende do exercício de reflexão que está ao alcance de todos: A Vida é produto de relações, o melhor que se pode fazer para bem viver é exercitar o bem se relacionar. Pode não ser fácil em princípio, e em geral não é. Mas com o tempo faz toda a diferença.

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