Cultura Humana ou Bestialidade? Quem Escolhe é a Sociedade

Desde os primeiros atentados em escolas ou universidade americanas, escrevo sobre o tema. E o tema a que me proponho recorrer, em função do atentado de hoje na escola Tássio da Silveira de Realengo, no Rio de Janeiro, continua na contramão do que leio e ouço por aí. Não me interessa remoer os pormenores da tragédia, mas entender profundamente o fenômeno.

Neste caso, o sentimento e a razão andam em conjunto. Recorro sempre a incompetência educacional que não é novidade alguma, inclusive por que é histórica, mas vou enfatizar aqui que a mesma não é mérito das escolas, mas da sociedade. E adiante explico. Por enquanto basta mencionar que em qualquer âmbito da vida social, falta educação e consciência que privilegie a cultura humana e possibilite ao indivíduo conhecimento a respeito de si-mesmo. Educação seria portanto, não apenas responsabilidade da escola, mas de toda e qualquer instituição humana, e de cada um de nós.

Mas é necessário que o movimento comece no ‘seio familiar’ e nas escolas, do contrário é o caos em que nos encontramos, onde ninguém se entende, e naturalmente, ninguém pode compreender o outro.

Numa escola seria adequado que todo ser humano pudesse conhecer os seus talentos potenciais e talentos os quais utiliza sem ainda consciência que lhe possibilite focar num sentido que lhe seja satisfatório. Também é fundamental a noção de limite e incursões pelas manifestações criativas. Mas não como se convencionou perpetuar, quando as disciplinas criativas são desprestigiadas perante as demais, mas obrigatórias ao currículo tornaram-se, em boa parte dos casos, um estorvo na compreensão das crianças que delas querem se ver livres. E assim formam-se adultos hiper limitados. Uma bestialidade que destitui de muitos a crença na própria criatividade.

Ser criativo não é mérito exclusivo de artistas, assim reconhecidos por mais uma conveniência sócio- econômica. Ser criativo é uma condição de nossa humanidade.

A educação precisa servir à evolução humana, realizando potenciais. Enquanto estiver comprometida com o Poder (indústria e mercado de uma política capitalista selvagem), estará sustentando todo tipo de preconceito e desequilíbrio.

 Não é à toa que numa filosofia de mundo de preconceitos descabidos e rara noção de respeito e tolerância, tenha-se proliferado tanta revolta em atitudes mortais tendo como alvo tudo aquilo que represente educação. A instituição faliu! Vamos assumir o erro e enterrá-lo para que possamos criar algo de novo. Ou seja: EDUCAÇÃO PARA SERES HUMANOS.

Ou o homem acorda e se transforma pra poder então refletir um novo mundo, ou continuaremos a ver as crianças, os homens e a Terra em desatino. Desde que nascemos somos tratados pelo sistema como insumo do mesmo. E pra isso somos educados e trabalhamos. Escravidão disfarçada por uma suposta democracia.

O trabalho, a luta pela ‘sobrevivência’, não pode ser mais importante do que a evolução de nossos filhos. Se o trabalho e a luta pela ‘sobrevivência’ fossem a realização de um sonho baseado numa superfície de Amor, não haveriam mais distúrbios sociais, nem doenças, nem indústrias farmacêuticas..

A noção de Paraíso não é um delírio religioso. É um saber popular presente em inúmeras culturas. Ele existe bem longe do Poder e bem dentro de cada um de nós. A maioria – ainda – não o enxerga por que não se enxerga. Não acredita, por que não crê em Si. A isso chama-se, perdição.

São evidências de um estado de perdição: Se há 2 décadas (entorno) homens matam crianças em instituições de ensino (especialmente americanas) a questão não é algo isolado, trata-se de um problema de toda a sociedade.

O homem que atenta ferozmente contra o seu semelhante não teve condição de reconhecer em si a humanidade que deveria ser cultivada em todos nós, desde os tempos da infância. E onde esteve a educação que não observou, através de seu departamento de psicologia/pedagogia, os desvios psíquicos de seus alunos? AUSENTE. A psicologia nas escolas não serve aos alunos, mas ao sistema de ensino que precisa ser cada vez mais eficaz e moderninho para atender quem? O Mercado..

É necessário rever a educação como um todo e pensar especialmente na inclusão realmente atuante e significativa dos recursos provenientes das práticas terapêuticas para o saudável desenvolvimento humano. Desta maneira haveria condições de se proporcionar apoio efetivo às questões individuais. A psicologia quando bem empregada faz todo o sentido, além de ser uma verdadeira dádiva poder ultrapassar problemas psíquicos com o suporte de outro ser humano, que de uma maneira ou de outra, nos ajuda a refletir melhor sobre as condições de nossas vidas. Psicologia ao meu ver precisa estar integrada à Educação pelo viés das Artes(sejam estas quais forem), ensinando o indivíduo a melhor se reconhecer.

Não estamos aqui, de forma alguma, retirando a responsabilidade do indivíduo em relação ao atentado. Queremos refletir sobre o quanto somos também fruto de nosso entorno. E que portanto precisamos trabalhar em conjunto. Precisamos aprender a trabalhar em conjunto respeitando a diversidade que é a grande característica de um espírito verdadeiramente humano. Precisamos antes de mais nada evidenciar a co-autoria da sociedade em relação aos atentados envolvendo instituições de ensino, que há mais de década reincidem, uma vez que é a sociedade que investe num modelo falido, não se aplicando em transformar o que existe de desumano em seu meio. É esta sociedade que alimenta, conscientemente ou não, o surgimento de tais distúrbios sociais.

Aquilo que nutre as degenerações do humano vem de um modo de ser e atuar separatista e preconceituoso. Um modo de ser que evoca o Poder de uns sobre os outros.

A opinião pública que deveria nos ajudar a refletir sobre a profundidade da situação, para que pudéssemos chegar aos pormenores do fenômeno, permanece na tábua rasa da reflexão: ferozmente aponta a delinqüência e a classifica de loucura como quem enxerga longe. Redes de televisões e jornais reproduzem esta que é a lógica que alcançam. Pronto, está montado o circo do sensacionalismo que logo será elevado, da miséria humana às categorias de mito dos horrores, ao estilo greco-hollywoodiano em mais um grande circuito de bilheterias recordes.

Uma filosofia de vida como esta e a sociedade continua a enxergar culpados de ocasião.

Apenas se enxerga o que o culto a crescente desumanidade possibilita enxergar. Meia verdade, meia consciência.

Precisamos refletir além para transcender padrões. Precisamos entender que LOUCA É A SOCIEDADE (ou mais humano seria mencionar a nossa incomensurável IGNORÂNCIA) que investe, dentre outras coisas, num sistema educacional que nasceu pra servir ao modelo industrial. E que o homem se frustra por ausência de cultura genuinamente humana.

Onde há Poder não Existe Amor.

Hoje estou de luto. O envio de Reiki noturno será especialmente orientado às crianças da escola de Realengo.

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