Médicos, Monstros e Misericórdia aos Seres Humanos

Fiz a minha primeira incursão no sistema público de atendimento hospitalar na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Se o sistema privado está cada vez mais ruim, por que pagar por ele? Nós seres humanos somos muito medrosos e acomodados, MESMO! Há muito tempo venho lutando para me excluir deste grupo ao qual a grande maioria pertence, o grupo dos medrosos. Não é preciso apenas ter consciência do processo, é necessário certa dose de coragem e vontade para ultrapassar limites geralmente arraigados sem ‘fio da meada’ que nos sirva de ‘bula’.

Racionalizei toda a situação e resolvi ir no que de melhor me parecia, o sist. público pode oferecer. Escolhi a Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Há pequenas correções físicas a implementar (besteiras que podem vir a se tornar significativas se nada for feito). Bom momento pra se mexer, quando consciência e espírito de encontram.

Por outro lado, há muito alimentava este desejo de ‘ir a campo’, usufruir do sistema público de saúde, o qual sustentamos durante toda a vida, mas é como se não soubéssemos disso.. Uma vez que não se exige que este seja o nosso modelo de saúde. Não se luta para a sua melhoria e não se faz nada além de apontar os absurdos. Prefere-se pagar 2 vezes pela saúde que de uma maneira ou de outra não satisfaz.

Gostaria de ressaltar para que sirva de reflexão profunda : ambos os sistemas não nos servem bem. Não cumprem as suas funções com dignidade. Cabe a nós solicitar o que nos é devido ou nos assumirmos reféns de uma política cruel e miserável. A exceção são os planos de saúde ‘master do master’ que atendem a um percetual irrisório da população. Mas nós estamos falando da maioria dos seres humanos. E no geral, você consegue marcar consulta para bem além do que necessitava. Você não tem cobertura para serviços que gostaria ou precisaria ter. Você precisa arcar com despesas extras e nem sempre é totalmente reembolsado. Nem sempre é reembolsado.. Você muda de médico sempre em busca de maior atenção, por que aqueles que lhe atendem mau olham nos olhos. Você espera um tempão para ser atendido mesmo quando agendou horário e quando é ‘atendido’, o que acontece não poderia ser chamado de atendimento. Em geral é a expressão de – um mau-hábito, cada vez mais arraigado em nossa sociedade: atender sem escutar – Por que se presume que você é mais uma estatística dentre tantas outras. Estatística esta que pode ser razoavelmente controlada através de um farmaco-parceiro. O que importa é que funcione por algum tempo, alimentando um ciclo macanicamente vicioso entre doença e saúde.

Acho sinceramente que médicos deveriam ser mais sensíveis a psicologia de seus pacientes. Deveriam ainda instruí-los, atuando de maneira a educar, relacionando : sintomas ao ‘comportamento’ , à psique de seus pacientes. Quando preciso naturalmente lhes direcionariam para um especialísta.

Hoje em dia, racionalizar para mim significa economizar energia acima de tudo para melhor orientá-la e produzir exatamente aquilo que desejo produzir. Sem perdas, sem confusões, sem estresse, com a clareza própria que emana da consciência quando praticada.

Fui atendida pelo dr Rafael (‘por acaso’ homônimo de um de meus guias espirituais ; ). Poucas vezes um médico do sistema privado me olhou nos olhos, enquanto me atendia, e me explicou com tanta minúcia sobre a questão que lhe trazia, respondendo cada uma de minhas analíticas questões com a maior das paciências. E olha que esse Médico era solicitado por inúmeras pessoas (residentes e colegas com menos experiência) em meio ao nosso atendimento. Uma calma, uma paz, um discernimento angelical em meio ao caos.

E em meio ao caos me vi sorrindo e feliz por que as pessoas vinham e vinham solicitar-lhe a atenção. O sist. privado nunca me proporcionou nada parecido: confiança, troca real e paz de espírito. Melhor mencionar a experiência como um todo.

O caos existe, é imenso, devastador, e está também por lá onde se pode conhecer muito martírio, a dor e o descaso, especialmente em relação as condições institucionais. Mas ali também conheci um Médicos de verdade. Além disso, um profissional como não se vê em qualquer parte. Muito além de tudo o que a nossa sociedade tecno-pop-lógica e suas idiossincráticas virtualidades vem construindo,  diante de mim estava um legítimo ser humano a serviço dos outros.

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