Duchamp, Não Linearidade e Quadrinhos

foto graphic1

http://www.mangamono.com/leituracombinadas/

Fala-se muito em não-linearidade. Fala-se muito, pratica-se quase nada e cria-se enormes confusões uma vez que não se compreende realmente do que se trata.

Todo processo, todo enredo, todo drama, toda história tem ‘a priori’, início, meio e fim. Parece uma verdade absoluta para nós ocidentais que bebemos das tradições greco-romanas e fomos forjados à base de seus infindáveis dramas entre a razão e a emoção.  Mas outras realidades existem além de nossos tradicionais olhares. Realidades bem mais antigas do que a desta vã civilização.

A noção de ‘não-linearidade’ massificou-se com a internet, como se fosse algo de outro planeta. Ou melhor, algo hipermoderno, com acesso irrestrito ao jovem e restrito aos mais velhos. Equívoco abissal, a ‘não-linearidade’ faz parte da natureza humana:

É só observar melhor como se processam nossos pensamentos..(não existe ninguém que sustente o pensamento, linearmente, o tempo todo. Muito pelo contrário, como se sabe cada vez mais nos tornamos, menos concentrados).

Estas são, foram, serão(¿) construções da cultura. Construções orientadas por sistemas, organizações, metodologias e planejamentos com a pretensão de nos organizarmos em sociedade. OK, todo mundo precisa de alguma organização pra realizar coisas que nos parecem interessantes. Só não dá pra esquecer que não precisamos viver o tempo todo ‘enquadrados por sistemas e processos’, num cotidiano modelado ou exemplar!

Do contrário abriremos mão de quem realmente somos: Seres Não Lineares…

Logo, a cultura tem momentos incríveis de realizações inovadoras, destaco toda a tecnologia que ampliou nossa visão de mundo e expectativa de vida. Mas na maior parte do tempo, no cotidiano pop, ela não passa de culto a idiotização.

Marcel Duchamp, um modernista com pé no contemporâneo tem um trabalho tão poderoso que até hoje influencia muita gente. Mas quase ninguém que não seja iniciado, no meio das concepções e subversões que historicamente a arte é capaz, consegue entendê-lo. Eis que o conceito de Não-Linearidade é aspecto fundamental em sua obra. Porém, para compreendê-lo é preciso em primeiro lugar mergulhar na história da arte, não apenas moderna. Em toda ela. Pra entender como a Arte vem antecipando os movimentos da sociedade. Ora espelha, ora antecipa.

Duchamp espelhou e antecipou o mundo : como somos. E que recentemente revelamos, mas mal (re)conhecemos..

Tudo isso como preâmbulo para indicar a graphic novel ‘Building Stories’. Tive acesso a uma parte do material,  muiiiiito bom!!! É enredo que se conta com imagens na maior parte do tempo, criando a atmosfera pelo acúmulo de situações e um tempo que não parece passar apesar de todo o relato de situações.. Só vendo.. Aqui no Brasil já vendem em inglês.

Nesta matéria o autor, Chris Wave relata a influência que sofreu de Duchamp , explícita em toda a produção : a composição da caixa, seus livros, livretos, flip book, graphic que compõem o produto, e são lidos sem qualquer orientação quanto, início, meio e fim.

E – naturalmente – é recorrente você sentir necessidade de reler o material em função das inúmeras relações possíveis.

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