Rastro Black

Ontem quando os black blocs adentraram na rua das Laranjeiras, virando e queimando as caixas de lixo e berrando palavras de terror – parecia clara – a distância destes em relação a orientação das manifestações que presenciei no Palácio e as do Centro, onde não estive mas me fio em boas fontes, relatos de amigos. Existe uma diferença grande em: manifestar a raiva (pra exorcizá-la do corpo) e cultuá-la.

Existe uma diferença radical em quem busca mudança e quem promove violência sem sentido. Estes não são diferentes da PM e sua ditadura. E quem me conhece sabe que eu não sou contra manifestações de raiva, ao contrário, creio que raiva tem que ser extraída do Corpo. Mas é preciso orientá-la com inteligência ou pode desandar em destruição incalculável. Raiva é energia de ‘start’, inigualável. Quem souber utilizá-la construtivamente pode mais do que ninguém transmutar dor em cura. Mas isso é outra história.

Queimaram uma árvore centenária. Atitude cruel e estúpida – dela não se aproveitaria nada, nem o calor, nem as cinzas, nem a fumaça, nada! Atitude de quem não veio ao mundo pra fazer sentido. Ninguém me falou. Vimos os blacks queimando a árvore. Ao meu ver, dolorido, vandalismo supremo. Lembramos dos extintores de incêndio, todo mundo gritava por eles.. Depois que os blacks e os caveirões passaram, surgiu da casa de festas um ‘extintor tímido’, mas salvador, e apagaram o fogo. Além da fumaça que tomou a rua, sentiasse no ar o peso morto do medo.

Qual a diferença destes caras e os poderosos que destroem a Terra com seus sistemas de aquisição energética defloradora de naturezas¿ … É apenas uma questão de escala.

O momento é nebuloso. Nem tudo é tão claro quanto imaginamos.. E precisamos na medida de nossas possibilidades sermos justos. É sempre importante não perder de vista todos os lados. A inconsequência de Black Blocs pode, na realidade, ser articulação pra trazer mais descrença e medo aos manifestos. Há vídeos na internet em que policiais travestidos de manifestantes promovem o vandalísmo que bem sabemos a ditadura é capaz.

O que resta disso¿ A sociedade que temos, acuada e medrosa, permanece inconsciente, toma manifestações de puro ódio como o todo. E as manifestações necessárias que ficaram explícitas a partir de 20 de junho, acabam sendo em boa parte descredenciadas pelo manifesto de uma minoria inconsequente.

É triste constatar que não existe ainda uma maioria consciente, necessária ao momento. Por que é tempo de se refletir e separar: joio de trigo. Pra quem mal compreende o óbvio, nuances e entrelinhas são invisíveis.

Num sistema político como o nosso, somos reféns da ignorância majoritária. O modelo político precisa mudar.

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