Archive for the ‘Devaneios do Cotidiano’ Category

Queria ter uma Urna em Quem Confiar

setembro 17, 2014


Sociedade sem fim. Nem princípios:
Antes de qualquer eleição, e por conseguinte, de escolhas partidárias, não seria legítimo analisar transparentemente, uma urna que foi reprovada internacional e localmente por ser altamente violável? Mas que, por outro lado, o TSE validou mesmo em face da análise de especialistas? (video acima).

Enquanto isso o blábla político corre solto, investindo as cegas num sistema de representabilidade política, corrupto.

Na política brasileira, carrega-se o peso da ignorância coletiva, catapultada pelo voto da maioria/voto obrigatório. E é assim em praticamente toda a América Latina, mas não em países do 1o mundo, onde o voto é facultativo. Copiô?

Queria ter uma urna em quem confiar.

O ‘gol’ da questão

dezembro 9, 2013

rindo à toa… 
Hoje, lendo as timelines do facebook sobre um futebol repetitivamente chaaato a enriquecer fifas, cbfs e bestificar homens incapazes de estabelecerem um diálogo que se aproxime da cura desta realidade: machísta, selvagem, invasora, prepotente e radical. OUVI da creche ao lado, um monte de criancinhas juntas gritarem – alegremente: GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLL…………………….

Ahhh, as sábias criancinhas sinalizando. Sempre elas! Pode parecer óbvio, mas na prática não é o que se vê: A questão não é o ‘objeto’, mas o uso que se faz dele. A questão é o rumo bestial desse mundo que promovemos. Insano. (muda a qualidade do rumo, muda tudo).

Rastro Black

agosto 28, 2013

Ontem quando os black blocs adentraram na rua das Laranjeiras, virando e queimando as caixas de lixo e berrando palavras de terror – parecia clara – a distância destes em relação a orientação das manifestações que presenciei no Palácio e as do Centro, onde não estive mas me fio em boas fontes, relatos de amigos. Existe uma diferença grande em: manifestar a raiva (pra exorcizá-la do corpo) e cultuá-la.

Existe uma diferença radical em quem busca mudança e quem promove violência sem sentido. Estes não são diferentes da PM e sua ditadura. E quem me conhece sabe que eu não sou contra manifestações de raiva, ao contrário, creio que raiva tem que ser extraída do Corpo. Mas é preciso orientá-la com inteligência ou pode desandar em destruição incalculável. Raiva é energia de ‘start’, inigualável. Quem souber utilizá-la construtivamente pode mais do que ninguém transmutar dor em cura. Mas isso é outra história.

Queimaram uma árvore centenária. Atitude cruel e estúpida – dela não se aproveitaria nada, nem o calor, nem as cinzas, nem a fumaça, nada! Atitude de quem não veio ao mundo pra fazer sentido. Ninguém me falou. Vimos os blacks queimando a árvore. Ao meu ver, dolorido, vandalismo supremo. Lembramos dos extintores de incêndio, todo mundo gritava por eles.. Depois que os blacks e os caveirões passaram, surgiu da casa de festas um ‘extintor tímido’, mas salvador, e apagaram o fogo. Além da fumaça que tomou a rua, sentiasse no ar o peso morto do medo.

Qual a diferença destes caras e os poderosos que destroem a Terra com seus sistemas de aquisição energética defloradora de naturezas¿ … É apenas uma questão de escala.

O momento é nebuloso. Nem tudo é tão claro quanto imaginamos.. E precisamos na medida de nossas possibilidades sermos justos. É sempre importante não perder de vista todos os lados. A inconsequência de Black Blocs pode, na realidade, ser articulação pra trazer mais descrença e medo aos manifestos. Há vídeos na internet em que policiais travestidos de manifestantes promovem o vandalísmo que bem sabemos a ditadura é capaz.

O que resta disso¿ A sociedade que temos, acuada e medrosa, permanece inconsciente, toma manifestações de puro ódio como o todo. E as manifestações necessárias que ficaram explícitas a partir de 20 de junho, acabam sendo em boa parte descredenciadas pelo manifesto de uma minoria inconsequente.

É triste constatar que não existe ainda uma maioria consciente, necessária ao momento. Por que é tempo de se refletir e separar: joio de trigo. Pra quem mal compreende o óbvio, nuances e entrelinhas são invisíveis.

Num sistema político como o nosso, somos reféns da ignorância majoritária. O modelo político precisa mudar.

O Paradoxal mito da cidade maravilhosa e fulgaz

julho 23, 2012

Uma fresta no tempo-espaço para ‘aqui’ permanecer, e em resistência alquímica compreender a quem sustenta este mito fulgaz: a cidade maravilhosa

Índio turísta e Branco verde

junho 23, 2012

Uma coisa me chamou a atenção nesta Rio+20: os índios fotografando(como turístas), usando copos de plástico, bebendo cerveja, usando óculos de grau.. E o julgamento fácil e rasteiro que fazem dos mesmos.

Não sou purista. Não acho que temos o direito de condená-los pelo afastamento das raízes. Seja o mesmo momentâneo ou definitivo. Nós que, por um lado, roubamos suas terras, e que por outro, também temos raízes que pouco valorizamos. Mas….preferimos inventar culturas. Boas e ruins.. Inclusive a infeliz cultura do preconceito que julga sem conhecer a experiência do outro (isso renderia muito papo, mas meu foco agora é outro).

Curioso foi observar o índio como turísta, invadindo o mundo civilizado, camuflado pela nossa cultura! Que inversão fantástica!

A leitura óbvia é a inversão de posições. Eles – apetrechados de nossa cultura – na contrapartida da discussão que propomos, em prol da sustentabilidade/ economia verde. Mas se aproximaram para se preservarem. Eis que as imagens, os registros comportamentais, nos permitem enxergar que estamos de alguma maneira sim, convergindo para uma cultura diversa. Mas atualmente, esta cultura se manifesta por uma hegemonia em escala global. Ambiguidades…

Estamos convergindo e nos encontramos (no extremo ocidente)a meio caminho de um certo caminho do meio(sabedoria oriental). Possibilidade incrível com a propriedade de nos libertar das posições de ataque ou defesa(guerra e paz), com as quais erguemos a cultura ocidental(hoje global)…

Imagine-se livre das posições extremadas que criam oposições e toda sorte de fanatismo. Onde o drama é o eixo fundamental dessa cultura de atrito. E o nosso sangue o espírito-combustível. Mas esse mundo está afundando.. E a sociedade emerge mais madura(à passos de cágado mas, emerge). Dela depende: o fim do teatro-político, a transformação do cenário terrestre e a emancipação do personagem humano em homem de verdade.

Mas a ambiguidade ainda existe: Gostei e não gostei de ver os índios fantasiados de civilizados. Abri um sorriso instintivo que ainda tô digerindo, mas acho que compreendo o espírito da coisa.

O que é o que é? Uma besta made in Brasil doida pra engolir o mundo.

março 25, 2012

Canso de dizer que o Eike pode acabar com o Brasil com seu projeto de ‘mais rico do mundo’. Por que essa bestialidade significa: as nossas custas – duplamente. Primeiro pq o país é nosso e não apenas de um cabra com capital de giro milionário desde o berço.

Em segundo lugar, imaginem o quanto ele ainda vai emburacar/ou esburacar o Brasil e detonar o meio-ambiente mundial com o Poder que tem pra explorar as ‘nossas’ riquezas, profundezas abaixo e ao largo de um país continental¿!

Precisou o filhote fazer lambança pra que algo de podre viesse à tona e surtisse efeito na superfície do senso comum.

Sem noção quem se diz bem fora do Brasil por causa da corrupção, dos políticos (aliás, contemporaneamente, uma coisa é quase sinônimo da outra). Falar mal do país é fácil, de longe então deve ser algum tipo de passa-tempo viral. Mas cogitar construir algo melhor nem pensar.

É

março 18, 2012

Hoje. Uma vontade de dar um pé na bunda desse mundo medonho, de algum jeito que não seja radical. Como parece impossível, sejamos enfim racionais. Não vou mais me adaptar. Uma certeza libertária! Mas a M continua e o problema é a perspectiva do volume.. O telefone toca, a voz carinhosa de um amigo das antigas, viajante e artistão, foi o suficiente pra transformar o meu astral.

Do que que eu estava falando mesmo?!?…

Dizem que Shopenhauer era pessimísta, mas pouco se fala sobre a competição intelectual e mau declarada, quase silenciosa, entre ele e sua mãe. Não à toa ele era duro e, em geral, vacilava quando o tema de seus escritos era a mulher.

Octagenário, sozinho e perto de morrer, sua obra maior, O Mundo como Vontade e como Representação, finalmente caiu nas graças dos intelectuais literatas e ganhou uma edição digna e elogiadíssima. O fato transformou seu fim de vida radicalmente. De amargo ele tornou-se pleno – sempre soube do valor daquela obra e vivera o suficiente para vê-la nascer para o mundo.

Rumino… A cultura do conhecimento não chega aos pés da sabedoria oriental (das tradições milenares). Enquanto a primeira tem seu lado ‘masturbatório’ – necessita se apoiar na imagem de um outro que a satisfaça – a segunda não precisa de nada. Simplesmente é.

Intimidada

março 4, 2012

Está insuportável este Plutão na minha décima casa. Já não tenho mais pelinhas nos dedos só desrelevos, crateras e pitadas de sangue.

A esperança no mundo anda por um fio. Adaptar a natureza a cultura nunca foi um ideal. Da vida se aprende que ideais não passam de mortes anunciadas. Melhor não habituar-se.

Adaptar a natureza a cultura é uma estratégia que reconheço, lutei muito para não seguir. E hoje alimento para sobreviver, embora ainda assim resguardo-me com reservas. Desejo outro caminho, e sonho com ramificações criativas.

A adaptação é propriedade dos fortes, mesmo antes de Darwin, havia o consenso dos naturalistas. E eu me sinto cada vez mais fraca e inútil perante a massa desumana que alimenta o consumísmo e destrói a Terra. A subverção cultural é o caminho, o qual apontam antropólogos, sociólogos, historiadores, artistas contemporâneos e até psicanalistas. Eu sinceramente não sei. Precisaríamos de muitos de nós para criar esta estrada e fazer frente a ausência de consciência majoritária. Seria preciso transformar o sistema por inteiro. E quando chego a este ponto da reflexão, mais interessantes parecem as ramificações criativas.

Tudo pode piorar quando plutão se opuser a minha lua. Pois ele está lá no alto na 10ª casa e ela é nativa de suas próprias origens, lá embaixo na 4ª casa. Um céu que tende a cair do alto de suas razões profundamente devastadoras sobre uma terra tão primitiva e obscuramente feminina, enlaçados por uma atração fatal. Cedo ou tarde tudo finda. Mas quando é com sua Mãe não há razão que lhe preserve o espírito da dor.

Espero estar enganada e não saber coisa alguma sobre estrelas e homens. Espero o desapego da lua próxima à lilith, presa a sombra, refém da própria intimidade.

Rio Apocalipse Now

fevereiro 9, 2012

Rio de Janeiro feio. Pessoas mau educadas e grosseiras. Sujeira por todo lado, jovens de ‘griffe’ furando a fila do ônibus na maior cara de pau, um senhor joga sujeira no chão, meninos-crianças jogadas no Centro invadindo o ônibus pela janela, mendigando em massa. Você tenta seguir o seu caminho mas pessoas esbarram em ti sem nem te olhar, como se você não existisse e você não sai do lugar.

Uma multidão de olhares perdidos.

Dia após dia é o que vejo num trajeto curto para o trabalho. A sorte/benção é que o mesmo compensa o trajeto deprê. Hoje, ao retornar distraída olhando pela janela senti uma jamanta sentar ao meu lado. Nãao! Era uma jovem magrinha mas espaçosa como poucos. Sem se retratar, oriunda do seu mundo paralelo abriu a bolsa com a mesma brutalidade peculiar e sacou a revista Caras.. Como não acreditar no apocalipse?

Quem é o Palhaço?

março 5, 2011

As pessoas criaram um ‘fuzuê’ com a eleição do Tiririca para deputado federal, como se o fato fosse extraordinário. Por que tanto espanto? Por acaso conhecem a capacitação de seus candidatos? Por acaso se preocupam em questionar a mesma? Por acaso já pararam pra analisar que de nós é exigido, especializações, mestrados, doutorados, mbas, e ao político as portas se abrem única e exclusivamente através do voto popular?!

A inconsciência está no ar.. E impera tempo demais por aqui.

Por outro lado, há que se considerar um outro ângulo da situação. A performance do Tiririca no horário eleitoral foi inteligente. Seu discurso declara o que a maioria dos candidatos almeja, benefício próprio. O que parece simplório foi de uma presença de espírito arrebatadora e sua eleição como deputado federal constituiu um autêntico ato performático. Aquele que é tido como ‘ignorante’, desmoralizou o sistema político!

Por outro lado, estou realmente curiosa pra ver o que ele vai fazer. Analfabetismo não é sinônimo de ausência de inteligência, mas de baixa capacitação social. Quando um sujeito tão desprovido socialmente conquista a popularidade e o posto que obteve e ainda tira sarro dos políticos, no mínimo ele merece atenção.

Sem querer fazer da situação um escracho sem sentido – pelo contrário, buscando maior reflexão – eu acho que esse Tiririca pode surpreender ainda mais.

Enquanto analfabeto ele não difere de outros políticos, mas está sendo vítima de preconceito. A sociedade ao invés de acordar e exigir de seus representantes qualificação(tenho várias ideias pra compartilhar neste sentido), quer crucificar o analfabeto.

Ai Jesus! Acode e reitera à Deus o pedido de perdão pra besta humana que agora quer crucificar o palhaço! Dois mil e onze anos se passaram e o homem continua sem saber o que faz..

O Tiririca não é o primeiro palhaço no Congresso. Se sustentar a honestidade e a estratégia de seus anúncios, vai longe.

Hoje palhaço amanhã Presidente.