Archive for the ‘Nada POP’ Category

Ditos Populares e a Sociedade Entrelinhas

fevereiro 1, 2011

O dito popular:  ‘Quem tem boca vai a Roma’, é um dos mais usuais a sustentar a ‘convicção’ de muita gente. Mas seria convicção mesmo ou vício em se repetir o que num primeiro relance parece tão adequado quanto inteligente? A mensagem implícita no referido dito, é: quem sabe se comunicar vai longe, ou coisa do gênero. É verdade. Mas vamos refletir sobre um jovem que reconhece que não se comunica bem, quando ouve uma tal frase pensa o quê? Provavelmente: “sou carta fora do baralho”. Aliás, tem várias ‘tribos’ que não nasceram com o dom da comunicação. Então, e o timido e o confuso e o gago e o minimalísta, e o resto dos seres humanos que ‘não tem boca’, que se ferrem?!? Essa Roma nunca esteve tão vazia e desinteressante, vai receber em boa parte: políticos, vendedores e apresentadores de televisão.

 Ditos populares são máximas por que a sociedade vê neles a evocação da sabedoria ancestral.

Pois bem, o citado dito não passa de um boato, desvio, lapso, mentira, simplesmente não existe.. O verdadeiro dito é: “Quem tem boca vaia Roma”. (do verbo vaiar).. Palavra do Professor Pasquale.

Embora o dito subvertido parece ter mais sentido do que na sua versão original, tanta consideração por aqui, na breve análise acima descrita, tem o seu por quê. Vamos refletir. Uma frase usada a torto e a direito como quem aponta ‘o caminho’ do sucesso, mesmo que faça sentido e faz, é uma farsa! E isso é no mínimo engraçado, é a ironia da vida puxando o tapete de muito blablabla…

Num exercício de imaginação, poderíamos especular como a subversão do dito popular aconteceu. Talvez tenha sido na tradução entre línguas, ou pela escuta e posterior reprodução de um  ‘meio surdo’. De fato, “quem tem boca vai a Roma” é uma frase mais impactante do que, “quem tem boca vaia Roma”.

Enfim, não me agrada essa necessidade de se convencionar as coisas em sociedade. Poderíamos ser uma sociedade mais criativa e autêntica se ao invés de nos apegarmos as convenções nos apegássemos a diversidade. Ser diverso é em primeiro lugar ser o que se é. 

Convenção serve pra quem segue o manual de conduta por que precisa ser aceito socialmente. São muitos os exemplos, mas no caso associado ao ‘ditos pop’, temos ainda aqueles que discursam por intermédio de citações de homens geniais, como fazem os acadêmico ou simpatizante. Uma gente que – na sua versão radical – precisa demonstrar inteligência. Mas um bom ‘citador’ não é nenhuma grande inteligência, no máximo tem uma boa memória. Há por fim aqueles que discursam via ditos populares e no final das contas é tudo a mesma coisa, desvios da própria conduta, carona na sabedoria alheia. Um vício por caminhos fáceis, ausentes do exercício reflexivo que leva ao distanciamento da própria identidade.

Ignorância compartilhada.

Anúncios