Pergunte a qualquer Ser Humano

outubro 25, 2013

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Não é por que houve, oficialmente, uma ditadura no Brasil, que não se possa enxergar que a mesma nunca deixou de existir. Hoje ela faz gênero: usa o manto invisível de uma democracia de estado liberal.

Não é preciso ver pra sentir. Pergunte a qualquer ser humano.

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Sorria! Você está sendo outra Pessoa

outubro 25, 2013

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Rastro Black

agosto 28, 2013

Ontem quando os black blocs adentraram na rua das Laranjeiras, virando e queimando as caixas de lixo e berrando palavras de terror – parecia clara – a distância destes em relação a orientação das manifestações que presenciei no Palácio e as do Centro, onde não estive mas me fio em boas fontes, relatos de amigos. Existe uma diferença grande em: manifestar a raiva (pra exorcizá-la do corpo) e cultuá-la.

Existe uma diferença radical em quem busca mudança e quem promove violência sem sentido. Estes não são diferentes da PM e sua ditadura. E quem me conhece sabe que eu não sou contra manifestações de raiva, ao contrário, creio que raiva tem que ser extraída do Corpo. Mas é preciso orientá-la com inteligência ou pode desandar em destruição incalculável. Raiva é energia de ‘start’, inigualável. Quem souber utilizá-la construtivamente pode mais do que ninguém transmutar dor em cura. Mas isso é outra história.

Queimaram uma árvore centenária. Atitude cruel e estúpida – dela não se aproveitaria nada, nem o calor, nem as cinzas, nem a fumaça, nada! Atitude de quem não veio ao mundo pra fazer sentido. Ninguém me falou. Vimos os blacks queimando a árvore. Ao meu ver, dolorido, vandalismo supremo. Lembramos dos extintores de incêndio, todo mundo gritava por eles.. Depois que os blacks e os caveirões passaram, surgiu da casa de festas um ‘extintor tímido’, mas salvador, e apagaram o fogo. Além da fumaça que tomou a rua, sentiasse no ar o peso morto do medo.

Qual a diferença destes caras e os poderosos que destroem a Terra com seus sistemas de aquisição energética defloradora de naturezas¿ … É apenas uma questão de escala.

O momento é nebuloso. Nem tudo é tão claro quanto imaginamos.. E precisamos na medida de nossas possibilidades sermos justos. É sempre importante não perder de vista todos os lados. A inconsequência de Black Blocs pode, na realidade, ser articulação pra trazer mais descrença e medo aos manifestos. Há vídeos na internet em que policiais travestidos de manifestantes promovem o vandalísmo que bem sabemos a ditadura é capaz.

O que resta disso¿ A sociedade que temos, acuada e medrosa, permanece inconsciente, toma manifestações de puro ódio como o todo. E as manifestações necessárias que ficaram explícitas a partir de 20 de junho, acabam sendo em boa parte descredenciadas pelo manifesto de uma minoria inconsequente.

É triste constatar que não existe ainda uma maioria consciente, necessária ao momento. Por que é tempo de se refletir e separar: joio de trigo. Pra quem mal compreende o óbvio, nuances e entrelinhas são invisíveis.

Num sistema político como o nosso, somos reféns da ignorância majoritária. O modelo político precisa mudar.

Duchamp, Não Linearidade e Quadrinhos

abril 13, 2013

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http://www.mangamono.com/leituracombinadas/

Fala-se muito em não-linearidade. Fala-se muito, pratica-se quase nada e cria-se enormes confusões uma vez que não se compreende realmente do que se trata.

Todo processo, todo enredo, todo drama, toda história tem ‘a priori’, início, meio e fim. Parece uma verdade absoluta para nós ocidentais que bebemos das tradições greco-romanas e fomos forjados à base de seus infindáveis dramas entre a razão e a emoção.  Mas outras realidades existem além de nossos tradicionais olhares. Realidades bem mais antigas do que a desta vã civilização.

A noção de ‘não-linearidade’ massificou-se com a internet, como se fosse algo de outro planeta. Ou melhor, algo hipermoderno, com acesso irrestrito ao jovem e restrito aos mais velhos. Equívoco abissal, a ‘não-linearidade’ faz parte da natureza humana:

É só observar melhor como se processam nossos pensamentos..(não existe ninguém que sustente o pensamento, linearmente, o tempo todo. Muito pelo contrário, como se sabe cada vez mais nos tornamos, menos concentrados).

Estas são, foram, serão(¿) construções da cultura. Construções orientadas por sistemas, organizações, metodologias e planejamentos com a pretensão de nos organizarmos em sociedade. OK, todo mundo precisa de alguma organização pra realizar coisas que nos parecem interessantes. Só não dá pra esquecer que não precisamos viver o tempo todo ‘enquadrados por sistemas e processos’, num cotidiano modelado ou exemplar!

Do contrário abriremos mão de quem realmente somos: Seres Não Lineares…

Logo, a cultura tem momentos incríveis de realizações inovadoras, destaco toda a tecnologia que ampliou nossa visão de mundo e expectativa de vida. Mas na maior parte do tempo, no cotidiano pop, ela não passa de culto a idiotização.

Marcel Duchamp, um modernista com pé no contemporâneo tem um trabalho tão poderoso que até hoje influencia muita gente. Mas quase ninguém que não seja iniciado, no meio das concepções e subversões que historicamente a arte é capaz, consegue entendê-lo. Eis que o conceito de Não-Linearidade é aspecto fundamental em sua obra. Porém, para compreendê-lo é preciso em primeiro lugar mergulhar na história da arte, não apenas moderna. Em toda ela. Pra entender como a Arte vem antecipando os movimentos da sociedade. Ora espelha, ora antecipa.

Duchamp espelhou e antecipou o mundo : como somos. E que recentemente revelamos, mas mal (re)conhecemos..

Tudo isso como preâmbulo para indicar a graphic novel ‘Building Stories’. Tive acesso a uma parte do material,  muiiiiito bom!!! É enredo que se conta com imagens na maior parte do tempo, criando a atmosfera pelo acúmulo de situações e um tempo que não parece passar apesar de todo o relato de situações.. Só vendo.. Aqui no Brasil já vendem em inglês.

Nesta matéria o autor, Chris Wave relata a influência que sofreu de Duchamp , explícita em toda a produção : a composição da caixa, seus livros, livretos, flip book, graphic que compõem o produto, e são lidos sem qualquer orientação quanto, início, meio e fim.

E – naturalmente – é recorrente você sentir necessidade de reler o material em função das inúmeras relações possíveis.

Suco Verde – Preparo

setembro 27, 2012

O Paradoxal mito da cidade maravilhosa e fulgaz

julho 23, 2012

Uma fresta no tempo-espaço para ‘aqui’ permanecer, e em resistência alquímica compreender a quem sustenta este mito fulgaz: a cidade maravilhosa

Índio turísta e Branco verde

junho 23, 2012

Uma coisa me chamou a atenção nesta Rio+20: os índios fotografando(como turístas), usando copos de plástico, bebendo cerveja, usando óculos de grau.. E o julgamento fácil e rasteiro que fazem dos mesmos.

Não sou purista. Não acho que temos o direito de condená-los pelo afastamento das raízes. Seja o mesmo momentâneo ou definitivo. Nós que, por um lado, roubamos suas terras, e que por outro, também temos raízes que pouco valorizamos. Mas….preferimos inventar culturas. Boas e ruins.. Inclusive a infeliz cultura do preconceito que julga sem conhecer a experiência do outro (isso renderia muito papo, mas meu foco agora é outro).

Curioso foi observar o índio como turísta, invadindo o mundo civilizado, camuflado pela nossa cultura! Que inversão fantástica!

A leitura óbvia é a inversão de posições. Eles – apetrechados de nossa cultura – na contrapartida da discussão que propomos, em prol da sustentabilidade/ economia verde. Mas se aproximaram para se preservarem. Eis que as imagens, os registros comportamentais, nos permitem enxergar que estamos de alguma maneira sim, convergindo para uma cultura diversa. Mas atualmente, esta cultura se manifesta por uma hegemonia em escala global. Ambiguidades…

Estamos convergindo e nos encontramos (no extremo ocidente)a meio caminho de um certo caminho do meio(sabedoria oriental). Possibilidade incrível com a propriedade de nos libertar das posições de ataque ou defesa(guerra e paz), com as quais erguemos a cultura ocidental(hoje global)…

Imagine-se livre das posições extremadas que criam oposições e toda sorte de fanatismo. Onde o drama é o eixo fundamental dessa cultura de atrito. E o nosso sangue o espírito-combustível. Mas esse mundo está afundando.. E a sociedade emerge mais madura(à passos de cágado mas, emerge). Dela depende: o fim do teatro-político, a transformação do cenário terrestre e a emancipação do personagem humano em homem de verdade.

Mas a ambiguidade ainda existe: Gostei e não gostei de ver os índios fantasiados de civilizados. Abri um sorriso instintivo que ainda tô digerindo, mas acho que compreendo o espírito da coisa.

Cadê o formador de opinião brasileiro?

abril 1, 2012

O mundo contemporâneo produz boçalidades ‘do tipo Michel Teló’ , que soeguido, da noite para o dia,  à categoria de celebridade, passa a influenciar os desprovidos de cultura/ formação substancial, ou simplesmente, os desprovidos de bomsenso. Na realidade influi até na vida de quem se acha longe disso tudo, uma vez que o brasileiro médio ainda vive como orangotangos bem adestrados pela tv seriada, a reproduzir gracejos novelescos – o que significa piadinhas pseudo inspiradas. Uma tragédia contemporânea originária dos primeiros ecos de nossa subtalhada consciência civililadora.

A sociedade está longe do alvo principal de toda a corrupção que assola o país, ao mirar Michels Telós e Renatas Canvas. Exposta como o algoz e não à toa vestida de fera no padrão  ‘oncinhas’, em recente reportagem do Fantástico sobre a corrupção em hospitais públicos brasileiros. Como se o Brasil inteiro não soubesse que licitação pública, neste país, é sinônimo de corrupção, nos voltamos à superfície do problema e elegemos a ‘mulher de oncinha’ pra Cristo. Mas o que fazemos sobre as licitações corruptas? Piada e nada além.

O pior em nossa sociedade é a insuficiência de formadores de opinião conscientes dos absurdos da política praticada no Brasil – corrupta, desumana, lesadora dos direitos e do patrimônio do brasileiro –  que pouco ou simplesmente nada fazem para ajudar na ampliação das consciências.

Todos sabemos que sair da chamada ‘zona de conforto’ não é para qq um, e que a maioria não o faz.

Mas tem gente que, detém tantos espaços e obteve tantas oportunidades de atingir o grande público que deveria atuar como transformadora da sociedade. Cadê a responsabilidade social da opinião pública brasileira??????? Cadê os ‘melhor servidos de consciência?’ Por que não doam um pouco do que possuem, em termos de reflexão compartilhada e esclarecimento, para ativar as consciências alheiras? Há dentre literatas, artistas plásticos, atores, músicos e empresários da cultura gente muito bem preparada e disposta. Por que não reunir estas forças e empreender uma faxina na nossa política? Só depende de nós não sermos mais separativístas e nos posicionarmos nos limites dos eixos curtos de nossas especialidades. Só depende de nós reunir as forças entendendo que arte de verdade é muito mais um modo de fazer, do que uma ou outra prática de status e mercados duvidosos, pois especulativos.

Só depende de nós ampliar a consciência de todos os nossos irmão. Somos todos humanos e merecedores de recursos, oportunidades e realização de sonhos.

 

O que é o que é? Uma besta made in Brasil doida pra engolir o mundo.

março 25, 2012

Canso de dizer que o Eike pode acabar com o Brasil com seu projeto de ‘mais rico do mundo’. Por que essa bestialidade significa: as nossas custas – duplamente. Primeiro pq o país é nosso e não apenas de um cabra com capital de giro milionário desde o berço.

Em segundo lugar, imaginem o quanto ele ainda vai emburacar/ou esburacar o Brasil e detonar o meio-ambiente mundial com o Poder que tem pra explorar as ‘nossas’ riquezas, profundezas abaixo e ao largo de um país continental¿!

Precisou o filhote fazer lambança pra que algo de podre viesse à tona e surtisse efeito na superfície do senso comum.

Sem noção quem se diz bem fora do Brasil por causa da corrupção, dos políticos (aliás, contemporaneamente, uma coisa é quase sinônimo da outra). Falar mal do país é fácil, de longe então deve ser algum tipo de passa-tempo viral. Mas cogitar construir algo melhor nem pensar.

É

março 18, 2012

Hoje. Uma vontade de dar um pé na bunda desse mundo medonho, de algum jeito que não seja radical. Como parece impossível, sejamos enfim racionais. Não vou mais me adaptar. Uma certeza libertária! Mas a M continua e o problema é a perspectiva do volume.. O telefone toca, a voz carinhosa de um amigo das antigas, viajante e artistão, foi o suficiente pra transformar o meu astral.

Do que que eu estava falando mesmo?!?…

Dizem que Shopenhauer era pessimísta, mas pouco se fala sobre a competição intelectual e mau declarada, quase silenciosa, entre ele e sua mãe. Não à toa ele era duro e, em geral, vacilava quando o tema de seus escritos era a mulher.

Octagenário, sozinho e perto de morrer, sua obra maior, O Mundo como Vontade e como Representação, finalmente caiu nas graças dos intelectuais literatas e ganhou uma edição digna e elogiadíssima. O fato transformou seu fim de vida radicalmente. De amargo ele tornou-se pleno – sempre soube do valor daquela obra e vivera o suficiente para vê-la nascer para o mundo.

Rumino… A cultura do conhecimento não chega aos pés da sabedoria oriental (das tradições milenares). Enquanto a primeira tem seu lado ‘masturbatório’ – necessita se apoiar na imagem de um outro que a satisfaça – a segunda não precisa de nada. Simplesmente é.