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Sensação sem Sentido

agosto 15, 2010

Uma sensação sem fim… Nem motivo, nem gosto, nem explicação.

Uma sensação agonizante de sensação mais sem sentido. Algo interior fora de sua própria ordem. Inquestionável.

Onde a razão é insuficiente, o sentimento tem espaço.

E como se não bastasse toda a estranheza, uma suspeita de pesadelo tão vivo quanto jamais a vida conseguiria ser. Daqueles em que o perigo não se pronuncia, não se vê, não se ouve, não se sabe onde está, mas é presente é sentido. Vive dentro da gente sem sabermos ao certo o que dele dizer.

Uma sensação de morte interior, além entranhas, visceras, vidas..

Acho que meu espírito partiu sem dizer adeus. Mas talvez não seja nada tão grave quanto parece, ele pode ter saído de férias. Sem ele me sinto pela metade. Tão matéria, carne e ossos, que posso tomar banho de perfume na banheira durante horas, e ainda assim sentiria o ranço agridoce do sangue entranhado nas narinas de meu imaginário espírito de porco.

Embora tudo possa se resumir em sensação e imaginário..

Volta! Vem me visitar desse além imaginação! Esta outra parte de ti, por ti clama.. Se espírito de porco for, que venha render-se à carne e aos ossos, feder junto à mim, por que aqui ficou a parte de ti que não se habitua com tua ausência. Não pode a matéria ser apenas minha, ou mais minha do que tua. Não pode o espírito ser mais teu do que meu. Volta que um sem o outro não faz o menor sentido. Não onde me encontro. Volta que seja por compaixão, delírio, falta do que fazer. Quem sabe até, Amor.

Educação tem Idade?

agosto 10, 2010

Estava no banco Real pra pagar uma conta. Tirei minha senha na maquininha e descobri que haviam 2 botões, um para todos e outro para os idosos. Sentei e aguardei a minha vez. Olhei no letreiro eletrônico, haviam ‘apenas’ 28 números na minha frente. Comecei a reorientar os meus afazeres para poder encarar aquele enorme e inusitado atraso na minha programação. Entrou um senhor, apertou o botão para idosos, retirou sua senha e apertou também o botão para todos e retirou a segunda senha. A cena se repetiu na figura de uma senhora, também na faixa dos idosos beneficiados pelo mérito de possuir caixas exclusivos.

Primeiro a gente se inquieta com a situação, questiona-se, depois sente culpa por que está sendo miserável com os ‘velhinhos’. Mas enfim reflete profundamente e percebe que já não existem idosos como antigamente. Na realidade, o clichê procede: tudo se transforma o tempo todo. No caso da pós modernidade, o tempo parece ser pequeno para a quantidade de ocorrências e derivações de comportamentos. O que exige certo comprometimento da percepção com a dinâmica contemporânea. Significa estar sempre preparado para refletir, considerar e reconsiderar posições. Mas como adaptar esta filosofia de vida à realidade tão aparentemente adversa, da 3a idade? É neste estágio da vida que o homem contemporâneo ocidental, ou ocidentalizado, se permite relaxar da imensa concentração que exigiu a vida dedicada ao trabalho. O jeito é adaptar este ocidental a nova filosofia de vida, e não ao contrário. Uma vez que esta lhe resgataria a posição social semelhante a de outrora, quando a sabedoria que se adquire durante a vida, encontra no homem a maturidade. Seria o resgate do valor humano acima de qualquer condição social.

Aproveito para dizer que sou Sim favorável a exclusividade no atendimento e benefícios adquiridos pela ‘melhor idade’. Mas não compactuo com os excessos que subvertem as regras que estariam aí para servir a comunidade, em cada segmento que a constitui.  A atuação dos senhores ‘idosos’ me parece portanto o pior dos mau-exemplos. Pois ali estaria alguém que deveria atuar com maiores princípios. Mas o que se vê é a ausência de respeito ao próximo. Tal comportamento vem justo da classe que mais ouço; pelas ruas, ônibus, bares, restaurantes, banco, padarias e farmácias; reclamar sobre o desrespeito dos jovens! Filho de peixe.. Imagina neto?!?

A pergunta que sintetiza o problema, é: Seria portanto, o exemplo citado, em meio a tantos outros atos de senhores idosos desesperançados, um ato reativo a sociedade? Que opção mais infantilmente autodestruitiva!

O que me levou a este post, foi um misto de sentimentos, que já expus aqui. Acima de tudo a clareza que cada vez mais noto emergir de minha lúdica personalidade. Hoje, a reflexão é uma prática de princípio. Antes era diferente, por vezes refletia, por vezes reagia. Percebo que a constituição da reflexão antes de qualquer reação, é fruto da prática meditativa. Depois de 13 anos, hoje facilmente emerge de minha intimidade meditativa, um natural transbordar em atitudes e momentos cotidianos de renovada reflexão e consenso pessoal(por que apesar da tal da história sobre, identidade, somos muitos querendo ser apenas um).

Aos senhores, idosos, os meus sinceros respeitos. Porém é com tristeza que afirmo, infelizmente tenho escutado destes as intransigências e até rabujentices, de quem não soube e ainda não sabe lidar com os ruídos do convívio social. O que não constitui (os ruídos) ameaça velada à uma ou outra classe, mas pode proporcionar aos mais despertos de espírito, exercício de humanidade. Somente em sociedade podemos corrigir à nós mesmos, traduzindo nela os nossos melhores esforços.

Penso que educação e gentileza não tem idade. É pra vida toda, e diferente do que se apregoa, não depende do estudo formal. Depende do exercício de reflexão que está ao alcance de todos: A Vida é produto de relações, o melhor que se pode fazer para bem viver é exercitar o bem se relacionar. Pode não ser fácil em princípio, e em geral não é. Mas com o tempo faz toda a diferença.