Posts Tagged ‘escritos’

Sensação sem Sentido

agosto 15, 2010

Uma sensação sem fim… Nem motivo, nem gosto, nem explicação.

Uma sensação agonizante de sensação mais sem sentido. Algo interior fora de sua própria ordem. Inquestionável.

Onde a razão é insuficiente, o sentimento tem espaço.

E como se não bastasse toda a estranheza, uma suspeita de pesadelo tão vivo quanto jamais a vida conseguiria ser. Daqueles em que o perigo não se pronuncia, não se vê, não se ouve, não se sabe onde está, mas é presente é sentido. Vive dentro da gente sem sabermos ao certo o que dele dizer.

Uma sensação de morte interior, além entranhas, visceras, vidas..

Acho que meu espírito partiu sem dizer adeus. Mas talvez não seja nada tão grave quanto parece, ele pode ter saído de férias. Sem ele me sinto pela metade. Tão matéria, carne e ossos, que posso tomar banho de perfume na banheira durante horas, e ainda assim sentiria o ranço agridoce do sangue entranhado nas narinas de meu imaginário espírito de porco.

Embora tudo possa se resumir em sensação e imaginário..

Volta! Vem me visitar desse além imaginação! Esta outra parte de ti, por ti clama.. Se espírito de porco for, que venha render-se à carne e aos ossos, feder junto à mim, por que aqui ficou a parte de ti que não se habitua com tua ausência. Não pode a matéria ser apenas minha, ou mais minha do que tua. Não pode o espírito ser mais teu do que meu. Volta que um sem o outro não faz o menor sentido. Não onde me encontro. Volta que seja por compaixão, delírio, falta do que fazer. Quem sabe até, Amor.

Anúncios

Do avesso, por inteiro

agosto 22, 2009

É preciso virar do avesso pra se conhecer por inteiro.

Que ano difícil! Queria gritar um palavrão.

Mas agora que compreendo um pouquinho das coisas, depois de economizar energia, estou reconduzindo-a, vou colocar a prática nos eixos.

Me aguarde mundo cavernoso, você vai ficar uma gracinha quando lhe der meu jeito.

Queria gritar um bando de palavrões, mas engoli todos. Que ano difícil, quanta inspiração pra tão pouco espaço.

Já me vejo pelas costas e reconheço minha nuca sem jamais tê-la conhecido. Não posso dizer que seja um prazer virar do avesso, mas sem dúvida é muito bom se conhecer por inteiro.

As vezes, como agora, me sinto envergonhada. Tenho vergonha da minha insistente ignorância, por mais que se cresça conhecimento algum parece suficiente. Ou eu sou ainda muito primitiva? Não quero ser ‘muito’ coisa alguma.

Sinto vergonha quando não percebo a oportunidade que sempre existe por trás das dificuldades. É como se fosse presenteada pelo destino e jogasse o mesmo pela janela, ordenando que procure outro otário. Daí a consciência..,uma voz que parece vir de dentro, repete: Não tenho sangue de barata.. não tenho sangue de barata.. não tenho sangue de barata.. Então eu desconfio:  Mais parece mantra dos infernos! Que consciência é essa?

Santa ignorância, me ajuda a fazer sentido e não mais me perder num mundo dividido.

Para não Julgar os Pássaros

junho 9, 2008

Virou mania. Desde meados do ano passado saio todo domingo para fotografar.

Caminho mais do que produzo fotos, pra quem fica horas grudada na ilha de edição é um prazer balsâmico sentir o sol dilatando: pele, carne, têmporas, e o espírito quem sabe desperte para a pineal.

Desviei da rota habitual e fui parar na praia.

Uma praia desacreditada pelo frio que vem fazendo nos últimos dias, sabe-se lá o quão solitária ficará no clímax do inverno.

Logo me desmentiram dezenas de pássaros que cruzaram o céu no recorrido formato triangular. Percebi que era hora propícia à meditação e não tirei a máquina do mochila. Deitei e deixei me envolver pelos meus grandes companheiros de viagem.

Alguns poucos ainda buscavam alcançar o lugar que lhes era devido junto aos demais – geometricamente compartimentados naquela lógica que me incitou ao pensamento. Desejava me ver livre do raciocínio pra poder com eles voar, resolvi que era coisa de instinto embora pra mim pássaros pensam tanto quanto qualquer outro animal, tirando o homem, besta que é : ao invés de pensar raciocina.

Assim me perdia sob o vício do raciocínio: Além de voar e possuir a visão privilegiada que possuem, estariam os pássaros se divertindo a nos observar como a besta que somos?

Fechei os olhos aos estímulos externos. A meditação requer orientação do foco.

Fechei os olhos e me concentrei no exercício – dever de casa – da querida professora de yoga e amiga Sheila Quinttaneiro : OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN (inspirava) NAMAHA (expirava)

É um mantra de reunião com a Unidade e faz parte dos exercícios que começamos a desenvolver semana passada. Prática de não julgamento, quanto aos outros e à nós mesmos, é claro.

Abri os olhos de encontro aos pássaros, participei do vôo respirando mantra. Logo o meu corpo perdeu a gravidade, adentrei ao Todo, integrando.

Da restauradora comoção de todos os sentidos envolvidos como n’um só, concentrei-me totalmente na respiração – especialmente na inspiração como sugere Edgar Cayce(meditação inspirativa). Mas por lapso ou melhor, por hábito mudei o foco seguindo um pensamento qualquer que surgiu.  Imediatamente desviei de mim mesma e fui perdendo altura, consciência e dignidade. A gravidade me puxou novamente de encontro ao corpo.

Todo hábito tem o seu valor quando aprendemos que a vontade pode ser superior ao transformar o pensamento viciado, alternando sua frequência de acordo com o que se deseja colocar em prática como filosofia de vida.

Pela fascinação do vôo esqueço de voar.. O aprendizado continua.

Voltei a respirar profundamente para não julgar os pássaros.