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Para não Julgar os Pássaros

junho 9, 2008

Virou mania. Desde meados do ano passado saio todo domingo para fotografar.

Caminho mais do que produzo fotos, pra quem fica horas grudada na ilha de edição é um prazer balsâmico sentir o sol dilatando: pele, carne, têmporas, e o espírito quem sabe desperte para a pineal.

Desviei da rota habitual e fui parar na praia.

Uma praia desacreditada pelo frio que vem fazendo nos últimos dias, sabe-se lá o quão solitária ficará no clímax do inverno.

Logo me desmentiram dezenas de pássaros que cruzaram o céu no recorrido formato triangular. Percebi que era hora propícia à meditação e não tirei a máquina do mochila. Deitei e deixei me envolver pelos meus grandes companheiros de viagem.

Alguns poucos ainda buscavam alcançar o lugar que lhes era devido junto aos demais – geometricamente compartimentados naquela lógica que me incitou ao pensamento. Desejava me ver livre do raciocínio pra poder com eles voar, resolvi que era coisa de instinto embora pra mim pássaros pensam tanto quanto qualquer outro animal, tirando o homem, besta que é : ao invés de pensar raciocina.

Assim me perdia sob o vício do raciocínio: Além de voar e possuir a visão privilegiada que possuem, estariam os pássaros se divertindo a nos observar como a besta que somos?

Fechei os olhos aos estímulos externos. A meditação requer orientação do foco.

Fechei os olhos e me concentrei no exercício – dever de casa – da querida professora de yoga e amiga Sheila Quinttaneiro : OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN NAMAHA OM BHAVAN (inspirava) NAMAHA (expirava)

É um mantra de reunião com a Unidade e faz parte dos exercícios que começamos a desenvolver semana passada. Prática de não julgamento, quanto aos outros e à nós mesmos, é claro.

Abri os olhos de encontro aos pássaros, participei do vôo respirando mantra. Logo o meu corpo perdeu a gravidade, adentrei ao Todo, integrando.

Da restauradora comoção de todos os sentidos envolvidos como n’um só, concentrei-me totalmente na respiração – especialmente na inspiração como sugere Edgar Cayce(meditação inspirativa). Mas por lapso ou melhor, por hábito mudei o foco seguindo um pensamento qualquer que surgiu.  Imediatamente desviei de mim mesma e fui perdendo altura, consciência e dignidade. A gravidade me puxou novamente de encontro ao corpo.

Todo hábito tem o seu valor quando aprendemos que a vontade pode ser superior ao transformar o pensamento viciado, alternando sua frequência de acordo com o que se deseja colocar em prática como filosofia de vida.

Pela fascinação do vôo esqueço de voar.. O aprendizado continua.

Voltei a respirar profundamente para não julgar os pássaros.

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