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Leituras

abril 16, 2009
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 Infelizmente, esta semana está bem pesada de trabalho por aqui. Gostaria, necessitava, aliás, desejava produzir expressões plásticas baseadas nos textos indicados no último encontro. A inspiração é tanta que anda rondando meus sonhos, produzindo atos involuntários, creio, na ausência de maior auto-compreensão. A isso eu chamo de ‘aborto criativo’, por que dói, viu! 

O negócio é manter as rédeas nas mãos da maior consciência e não fazer da pseudo-ausência de tempo um hábito. Afinal de contas, óbvia está a gênese da maluquice.

O que fazer quando os sentimentos não encontram espaço de realização? Análise provavelmente.. Talvez eu elabore a partir disso um recorte, se puder incluir aí a expressão plástica. Não! Não se anime cara professora Euchares eu não tenho ainda um recorte,  embora sinto que está por vir ; ) . Sou todos os ouvidos e sentidos nesta 6a, amanhã, na direção dos colegas..

De certo muitos como eu estão fartos em priorizar a razão, a sobrevivência, em detrimento do sentimento e da espontânea e portanto autêntica expressão.

Sobrevivência?! Do que se trata ?

De duas uma, experimenta-se observar quem leva a morte de fato: a ausência de alimento convencional ou a ausência de alimento poético.. É provável que morrer de fome seja mais rápido e portanto menos traumático do que morrer de pobreza de espírito. Uma morte que se alastra em plena consciência é muito mais dolorosa, vai minando parte a parte da constituição do ser, retraindo, depredando, consumando a ausência de quem se observa, paulatinamente, deixando de ser.

Questão de Necessidade ou questão de Desejo.

Tendo em vista o buraco existencial que venho mal alimentando, – buraco é economia de espaço, jaz aqui uma cratera fumegante! – acho que estou bem nutrida pela vontade, pronta para exprimir, ainda que a ilusão da inexistência de tempo persista nessa agonia que pode ser a compreensão que produzimos quanto ao viéis das condições sociais.

Pra aliviar a inspiradora teorização em massa, já que não está dando ainda pra responder plasticamente como eu desejava, vou postar aqui frames de videos que produzi da trilogia : Internet tem Alma. 

Acredito que as imagens possam ilustrar parte dos textos indicados e citados abaixo.

 

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‘Aculturação e Aculturação’ de Pasolini – Se comparado ao Magia e Técnica, Arte e Política no capítulo: Experiência e pobreza de W. Benjamim e ao Segredo da Flor de Ouro que comecei a ler também,- Pasolini me deixa um sentimento de déjà vu = passado, especialmente quanto a mentalidade das disposições antagônicas. Embora pareça super adequado aos nossos tempos e realmente o seja em certo sentido, a questão do hedonismo de massa para a qual a televisão contribui enormemente me parece própria ao contexto existencial de Pasolini e de qualquer outro que se veja como injustiçado. O que me incomoda é a noção de que as coisas nos são impostas, como afirma Pasolini. Como se não tivéssemos qualquer responsabilidade e orientação perante a Vida.

Não creio ser a falta de cultura ou a ignorância o que nos leva a assistir televisão e a segui-la como se seita fosse. Penso que tal conduta excessiva demonstra um profundo vazio, uma profunda carência do indivíduo. Não menciono quem assiste tv por poucas horas ou dia sim dia não, mas o consumidor compulsivo.

Acho que a falta de aproximação entre os homens, a filosofia separatista do preconceito, a alma preponderante do negócio, do pragmatismo e da economia do dinheiro serve ‘de bandeja’ ao empobrecimento dos valores humanos. Compreensão esta levada adiante por empreendimento da sociedade, ainda que seja ideologia associada ao Poder. O que quero dizer é, quem constitui valores somos sempre nós – substâncias nas formas que condicionamos.

Pode parecer piegas, mas o que eu acredito faltar no mundo é: amor, compaixão, fraternidade e fundamentalmente, tratando-se de Sociedade, uma educação que prime em instaurar o desejo de compreensão entre os homens. Quando, e se isso existisse em massa a ignorância intelectual não faria sentido ou simplesmente não teria o peso que tem hoje. A televisão ganharia outro sentido, provavelmente o de ‘salvadora global’, enquanto o mérito mais uma vez seria do homem.

A razão de um mundo constituído pela selvageria do consumo disseminado pela tv seria suplantada pela realidade dos sentimentos, bem maior do que qualquer tesouro.

Embora pareça abstrato o sentimento nos é inerente. Já as condições sociais, estas sim não passam de abstrações assumidas como realidade, ideologias..

Razão social então me parece piada institucional. Imagina se para todo movimento que façamos, fora do âmbito institucional, tivermos que passar pelas leis de incentivo, burocracias, orientações empresariais? ‘Permitam-me fazer arte?’Como quem pede pra respirar, correr, ir e vir!?  Bom, isso tudo é bem pessoal, não tenho competência empresarial e já perdi muita energia entorno da órbita empresarial. Prefiro promover ações diretas, embora pequenas, são da essência à prática livres de condições.. Assim asseguro à  razão conexão direta com o coração.

‘Experiência e Pobreza’ do W. Benjamin, que adoro! e mais um txt que não veio com a autoria, mas aponta ter se apropriado das ideias de Benjamin e fala a todo tempo da constituição do olhar. Muito interessante, aprofunda ideias que me pareciam óbvias. E fortificam no espírito noções espirituais apreendidas com a sabedoria oriental – sem a extrapolação da descaracterização mimética. No meu aprendizado o oriente veio pra somar completando o que existe em mim, é um casamento do tipo ‘quebra-cabeça’, jamais a destituição de uma filosofia pela outra. O que seria perdição da pior espécie, e creio a isto se raporta Benjamin, como barbárie.

O preconceito constitui-se por tradições, opiniões (opiniões públicas), um relaxamento do raciocinar. Não se pode desta maneira estar em contato com a dinâmica da Vida, por que se preferiu ficar inerte sob um mesmo ponto. Afinal é preciso estar atento para observar em meio ao caos em que se vive no ocidente, especialmente, as transformações ainda minúsculas que ocorrem quando tudo parece igual. Mas igual aqui nesse mundo nem a concepção de clone humano me parece possível, mediante relações contextuais.

Comecei a ler O Segredo da Flor de Ouro do Jung e do Wilhelm, pequenininho mas poderoso! Pena não deu para devorar por conta das inúmeras tarefas. No sábado tem banquete! Um livro para aprofundar o citado capítulo do livro de Benjamin. Quando Jung analisa o comportamento oriental e ocidental – o que parece apropriado à uma mentalidade e à outra. O oriente questionado pela mentalidade ocidental, como mentalidade estrangeira, e por que não dizer, complementar (numa ousadia imprudente, diante do pouco que li).

Mas a realidade histórica aponta as inúmeras constatações acerca da Natureza através da sabedoria oriental que difere da ciência ocidental (a grosso modo menciono a noção de uma outra forma de pensar ou utilizar a mente) mas forjou inúmeras práticas como a milenar medicina chinesa, a ioga, ou a meditação, reconhecidas hoje pelos inegáveis benefícios ao homem. Com a constatação científica dos benefícios das práticas orientais, a nossa ciência dá seus primeiros passos na direção de um saber, quem sabe inclusivo, quem sabe um saber que integre a totalidade do potencial humano.

Há 12 anos pratico meditação e só ganhei com a prática prolongada durante todos estes anos. Experimentei algumas técnicas e hoje utilizo 3 orientações por iniciativa própria – obedecendo minhas necessidades que reconheço com facilidade, hoje em dia, através desta maravilhosa prática associada ao meu contexto ocidental.

Penso que a Ciência e a Meditação são disciplinas muito próximas no que concerne ao Observador e sua atuação. A observação portanto, faz parte de ambas, a metodologia difere em fundamento, mas no final das contas e em sentidos opostos, parecem se encontrar numa mesma resposta.

Tô viajando né.. Tanta coisa que tá pulando na cabeça e também uma necessidade de ouvir outros ângulos, pra não enraizar convicções. Ao ouvir simplesmente, sem pretensões nem palavras na lingua, com a cabeça livre de raciocínios, dispõem-se o espírito por novas consciências. Uma delícia pensar diferente e não se exaurir em si mesmo.

Até amanhã..

Referência imagens:  frames da trilogia: Internet tem Alma? – Poena Vianna, atriz e parceira do projeto Globalaio. Maiores detalhes na página principal, em Parcerias.

 

 

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Abrindo os Trabalhos..

março 28, 2009

Esperei 4 anos para que a especialização em psicologia junguiana, arte e imaginário, na puc, recebesse artistas. O curso era restrito à psicólogos e médicos.

A coordenação desta pós é do prof. Álvaro Gouveia.

Embora eu pudesse optar por cursos excelentes concentrados nas artes visuais – como o da ufrj (onde me formei) – quando num primeiro contato com o curso, buscava compreender se estava no caminho certo de acordo com as minhas motivações mais sinceras,  descobri que não desejava dar continuidade a vida acadêmica pelo viéis da história da arte, o que confere certo comprometimentos com o mercado. Buscava um aprendizado que favorecesse uma maior compreensão da constituição da natureza humana, para com ela poder me comprometer de corpo e alma.

Precisava de certa dose de psicologia. Mas não poderia ser qualquer psicologia. Queria implicar em meus estudos movimentos que empreendo há pelo menos uma década, voltados ao exercício de diversas filosofias compreendidas como alternativas. Embora tais filosofias não estivessem inscritas na minha cultura de mundo ocidental, me pareciam extremamente familiares e contundentes na medida em que me intrumentalizavam na compreensão das condições inerentes a minha constituição física e espiritual. Para tanto é interessante frisar que a meditação é a base de todo o meu processo, mas quem o sustenta é o movimento (qualquer prática física que implique a movimentação do corpo – por inteiro).  Enfim, se fazia urgente me encaminhar na direção de uma maior compreensão: da fisiologia energética, do conceito de consciente, inconsciente e alma, dos fundamentos da imagem, especialmente quanto a sua gênese. 

É portanto, com satisfação, apesar de certa estranheza e um bocado de desconforto produtivo, que me vi em meio a um grupo de professores e colegas, em sua maioria psicólogos.

Seríamos então, eu e meus colegas não psicólogos, uma espécie de invasores bemvindos. A exceção que pr’ além de fugir à regra se reune à ela na tentativa de dar sentido à um 3o. elemento, num movimento de troca inerente a estratégia  interdisciplinar que cada vez mais emerge como vocação de nossos tempos.

Quanto a estranheza.. : Ela é oriunda de minha profunda ignorância quanto a metodologia que compreende o ofício da psicologia, assim como da possibilidade em constituir objeto de estudo.

A satisfação advém da perspectiva de ampliação de minha compreensão acerca da natureza humana, da vida, e, oportunamente, das sufocantes condições sociais.

Quando menciono o ‘desconforto produtivo’, falo especialmente da professora-filósofa, Francimar. Ao meu ver ela se posiciona como o contra-ponto estratégico em relação a base Junguiana  pela qual se orienta o nosso curso. Num resumo tosco da 2a aula referente a condição do artista e da concepção da imagem, baseada em princípios platônicos: O artista é um ser narcisista que através da mimesis tem a pretensão de se assemelhar ao Criador. A criatividade não tem espaço na concepção de realidade platônica. O artista pode apenas imitar a realidade e jamais expressar seu sentimento, conforme a realidade da emoção que experimenta’. Sua produção é representativa e portanto ilusória.

Tive que digerir a situação. A minha pretensão como artista não é transpor meus sentimentos de um canto à outro. Mas a partir deles produzir certa compreensão pessoal e comunicar significados como quem, por exemplo, se vale da escrita ou da oratória para passar uma informação. Neste sentido não percebo a representação formal na produção artistica. 

O que eu preciso, fundamentalmente é dar expressão ao meu mundo interior, esvaziar-me de mim mesma, procurar nos outros o que em nós diverge e reflete. Ter com eles certa cumplicidade em vista da aventura que constitui a vida. Vale frisar que este ‘meu mundo interior’ somente persiste na vontade de se expressar por que é naturalmente instigado pelo entorno. Não vejo função na expressão que não seja associada diretamente à comunicação.

Percebo a arte como uma ponte entre o coração e a mente, seu exercício me é vital como processo estruturador e organizador das ideias. Já a arte idealizada, seus modelos e representações não constitui matéria de interesse pra mim. Acho que é por aí que compreendo e concordo com a Francis.

Por outro lado, não dá pra engolir o seguinte ponto de vista, Platão dividiu as pessoas em 3 tipos:

alma bronze – o grupo mais rude de constituição grosseira, ligado ao comércio, a agricultura e ao artesanato.

alma prata – grupo de virtuosos, corajosos, guerreiros  e guardiões também no sentido religioso.

alma ouro – grupo ligado as ideais, ao diálogo, ao conhecimento da filosofia que elevará a Alma em busca da verdade.

Ou seja, o artesão está enquadrado como alma bronze e o filósofo se auto-intitula, alma ouro !? Depois os narcisistas somos nós os artistas?

Ou eu me equivoquei redondamente, falta algum dado, ou suspeito que Platão quis tirar os artistas da jogada para poder reinar com seus iguais no topo do pedestal sem ter que enfrentar aqueles que certamente questionariam suas posições.

Na minha pequena opinião, as diferenças existem sim e são até óbvias. Mas creio que deveriam ser igualmente valorizadas, cada qual em sua instância. É interessante perceber os tipos, mas esta categorização seria absoluta ou daria margem a uma dupla ou até tripla disposição? Exemplo: o sujeito é um guerreiro, alma prata, mas na mesma medida possui características ligadas a alma bronze, então poderia ser reconhecido como alma bronze-prata?

Não vejo graça, porque isento de significação, numa filosofia sem arte ou numa arte sem filosofia.