Posts Tagged ‘sociedade’

Queria ter uma Urna em Quem Confiar

setembro 17, 2014


Sociedade sem fim. Nem princípios:
Antes de qualquer eleição, e por conseguinte, de escolhas partidárias, não seria legítimo analisar transparentemente, uma urna que foi reprovada internacional e localmente por ser altamente violável? Mas que, por outro lado, o TSE validou mesmo em face da análise de especialistas? (video acima).

Enquanto isso o blábla político corre solto, investindo as cegas num sistema de representabilidade política, corrupto.

Na política brasileira, carrega-se o peso da ignorância coletiva, catapultada pelo voto da maioria/voto obrigatório. E é assim em praticamente toda a América Latina, mas não em países do 1o mundo, onde o voto é facultativo. Copiô?

Queria ter uma urna em quem confiar.

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Ditos Populares e a Sociedade Entrelinhas

fevereiro 1, 2011

O dito popular:  ‘Quem tem boca vai a Roma’, é um dos mais usuais a sustentar a ‘convicção’ de muita gente. Mas seria convicção mesmo ou vício em se repetir o que num primeiro relance parece tão adequado quanto inteligente? A mensagem implícita no referido dito, é: quem sabe se comunicar vai longe, ou coisa do gênero. É verdade. Mas vamos refletir sobre um jovem que reconhece que não se comunica bem, quando ouve uma tal frase pensa o quê? Provavelmente: “sou carta fora do baralho”. Aliás, tem várias ‘tribos’ que não nasceram com o dom da comunicação. Então, e o timido e o confuso e o gago e o minimalísta, e o resto dos seres humanos que ‘não tem boca’, que se ferrem?!? Essa Roma nunca esteve tão vazia e desinteressante, vai receber em boa parte: políticos, vendedores e apresentadores de televisão.

 Ditos populares são máximas por que a sociedade vê neles a evocação da sabedoria ancestral.

Pois bem, o citado dito não passa de um boato, desvio, lapso, mentira, simplesmente não existe.. O verdadeiro dito é: “Quem tem boca vaia Roma”. (do verbo vaiar).. Palavra do Professor Pasquale.

Embora o dito subvertido parece ter mais sentido do que na sua versão original, tanta consideração por aqui, na breve análise acima descrita, tem o seu por quê. Vamos refletir. Uma frase usada a torto e a direito como quem aponta ‘o caminho’ do sucesso, mesmo que faça sentido e faz, é uma farsa! E isso é no mínimo engraçado, é a ironia da vida puxando o tapete de muito blablabla…

Num exercício de imaginação, poderíamos especular como a subversão do dito popular aconteceu. Talvez tenha sido na tradução entre línguas, ou pela escuta e posterior reprodução de um  ‘meio surdo’. De fato, “quem tem boca vai a Roma” é uma frase mais impactante do que, “quem tem boca vaia Roma”.

Enfim, não me agrada essa necessidade de se convencionar as coisas em sociedade. Poderíamos ser uma sociedade mais criativa e autêntica se ao invés de nos apegarmos as convenções nos apegássemos a diversidade. Ser diverso é em primeiro lugar ser o que se é. 

Convenção serve pra quem segue o manual de conduta por que precisa ser aceito socialmente. São muitos os exemplos, mas no caso associado ao ‘ditos pop’, temos ainda aqueles que discursam por intermédio de citações de homens geniais, como fazem os acadêmico ou simpatizante. Uma gente que – na sua versão radical – precisa demonstrar inteligência. Mas um bom ‘citador’ não é nenhuma grande inteligência, no máximo tem uma boa memória. Há por fim aqueles que discursam via ditos populares e no final das contas é tudo a mesma coisa, desvios da própria conduta, carona na sabedoria alheia. Um vício por caminhos fáceis, ausentes do exercício reflexivo que leva ao distanciamento da própria identidade.

Ignorância compartilhada.

Empreendendo Arte

novembro 10, 2010

Em primeiro lugar achei incrível o que ocorreu no último ano em termos de quantidade de incentivos na área cultural. Porém 2 coisas a considerar: os Programas da Funarte são baseados no modelo de premiação. Você entrega o seu proj e torce pra cair nas graças dos critérios dos jurados. O projeto inscrito não recebe o prêmio em questão. O mesmo projeto é enviado à organismos exteriores e por estes subvencionados. Claro, cada um tem seu critério.. Mas não seria interessante começar a se discutir este modelo de prêmio e talvez considerar que, projetos bons são projetos que realizam sonhos e inspiram outros mais? E por fim, que isso vai muiiiito além da ideia de que o artista é artigo raro, o qual merece ser premiado, enquanto ao resto cabe buscar certa  genialidade pra sobreviver num sistema como tal?

Uma discussão sobre a natureza e condição do artista seria interessante, para que pudessemos humanizá-lo, e assim aproximá-lo da sociedade. O que em curto prazo, creio, significaria aproximar a sociedade do viéis artístico que habita cada um de nós, suas unidades adormecidas. Por que artista é o ser humano, ciente de suas propriedades.

Completando o raciocínio. O movimento aqui é de ebulição cultural rumo a maioridade empreendedora. Isso sim é oportunidade! Se bem alicersada numa filosofia, não de adequação ao sistema, mas ao contrário,  o sistema adequando-se as realidades pessoais – sendo assim verdadeiros parceiros na construção das mesmas. O que poderia-se dizer de um sistema como esse que torna possível e dignifica a nossa humanidade?

A amplitude de conhecimentos é bemvinda. Mas passar a vida literalmente dividido entre empreender e desenvolver projetos é muiiito desgastante. Pra quem começa é ‘o’ caminho pra entender o próprio negócio, mas eu falo de quem já está há mais de  década na estrada.

O que me parece realmente diferenciado é observar o surgimento de produtoras culturais para a gestão, enquadramento e captação de recursos. O artista precisa destes parceiros pra poder se dedicar com qualidade aos seus projetos. Naturalmente isso não quer dizer que vai ignorar os tramites, bom já deixei claro acima. O que digo é que as parcerias são o ‘x’ da questão que nos permite avançar com qualidade e ciência, da onde estamos e podemos chegar.

Educação tem Idade?

agosto 10, 2010

Estava no banco Real pra pagar uma conta. Tirei minha senha na maquininha e descobri que haviam 2 botões, um para todos e outro para os idosos. Sentei e aguardei a minha vez. Olhei no letreiro eletrônico, haviam ‘apenas’ 28 números na minha frente. Comecei a reorientar os meus afazeres para poder encarar aquele enorme e inusitado atraso na minha programação. Entrou um senhor, apertou o botão para idosos, retirou sua senha e apertou também o botão para todos e retirou a segunda senha. A cena se repetiu na figura de uma senhora, também na faixa dos idosos beneficiados pelo mérito de possuir caixas exclusivos.

Primeiro a gente se inquieta com a situação, questiona-se, depois sente culpa por que está sendo miserável com os ‘velhinhos’. Mas enfim reflete profundamente e percebe que já não existem idosos como antigamente. Na realidade, o clichê procede: tudo se transforma o tempo todo. No caso da pós modernidade, o tempo parece ser pequeno para a quantidade de ocorrências e derivações de comportamentos. O que exige certo comprometimento da percepção com a dinâmica contemporânea. Significa estar sempre preparado para refletir, considerar e reconsiderar posições. Mas como adaptar esta filosofia de vida à realidade tão aparentemente adversa, da 3a idade? É neste estágio da vida que o homem contemporâneo ocidental, ou ocidentalizado, se permite relaxar da imensa concentração que exigiu a vida dedicada ao trabalho. O jeito é adaptar este ocidental a nova filosofia de vida, e não ao contrário. Uma vez que esta lhe resgataria a posição social semelhante a de outrora, quando a sabedoria que se adquire durante a vida, encontra no homem a maturidade. Seria o resgate do valor humano acima de qualquer condição social.

Aproveito para dizer que sou Sim favorável a exclusividade no atendimento e benefícios adquiridos pela ‘melhor idade’. Mas não compactuo com os excessos que subvertem as regras que estariam aí para servir a comunidade, em cada segmento que a constitui.  A atuação dos senhores ‘idosos’ me parece portanto o pior dos mau-exemplos. Pois ali estaria alguém que deveria atuar com maiores princípios. Mas o que se vê é a ausência de respeito ao próximo. Tal comportamento vem justo da classe que mais ouço; pelas ruas, ônibus, bares, restaurantes, banco, padarias e farmácias; reclamar sobre o desrespeito dos jovens! Filho de peixe.. Imagina neto?!?

A pergunta que sintetiza o problema, é: Seria portanto, o exemplo citado, em meio a tantos outros atos de senhores idosos desesperançados, um ato reativo a sociedade? Que opção mais infantilmente autodestruitiva!

O que me levou a este post, foi um misto de sentimentos, que já expus aqui. Acima de tudo a clareza que cada vez mais noto emergir de minha lúdica personalidade. Hoje, a reflexão é uma prática de princípio. Antes era diferente, por vezes refletia, por vezes reagia. Percebo que a constituição da reflexão antes de qualquer reação, é fruto da prática meditativa. Depois de 13 anos, hoje facilmente emerge de minha intimidade meditativa, um natural transbordar em atitudes e momentos cotidianos de renovada reflexão e consenso pessoal(por que apesar da tal da história sobre, identidade, somos muitos querendo ser apenas um).

Aos senhores, idosos, os meus sinceros respeitos. Porém é com tristeza que afirmo, infelizmente tenho escutado destes as intransigências e até rabujentices, de quem não soube e ainda não sabe lidar com os ruídos do convívio social. O que não constitui (os ruídos) ameaça velada à uma ou outra classe, mas pode proporcionar aos mais despertos de espírito, exercício de humanidade. Somente em sociedade podemos corrigir à nós mesmos, traduzindo nela os nossos melhores esforços.

Penso que educação e gentileza não tem idade. É pra vida toda, e diferente do que se apregoa, não depende do estudo formal. Depende do exercício de reflexão que está ao alcance de todos: A Vida é produto de relações, o melhor que se pode fazer para bem viver é exercitar o bem se relacionar. Pode não ser fácil em princípio, e em geral não é. Mas com o tempo faz toda a diferença.

Revoluções Interiores & Mixtério

novembro 24, 2009

Infelizmente ou não (como diria Caetano..), nasci Não Linear. Por isso ando penando por não seguir esta não-lineariedade depois de anos abusando da mesma.. Algumas vezes na vida é necessário dar um passo pra trás para poder seguir adiante. Mas é duro! Quando se tem a pintura madura e o fruto caindo por terra.. É duro não poder escrever quando se precisa materializar a ideia-pensamento, é muito duro não brincar com meus hqs experimentais e finalizar a trilogia em webvideo: Internet tem Alma. Faltou editar o último: Qual o Espírito da Internet?. A produção e captura das imagens já data do início do ano. Foi o único que não se definiu em edição logo após sua captura. Ele é pleno em possibilidades, um resumo catatônico dos 2 primeiros vídeos da série. Me inspirou também para um outro projeto que pretendo iniciar em janeiro de 2010 na residência artística que farei em Guadaloupe, Caribe.

Por que o lamento se não gosto de me lamentar? Por que alguma coisa está fora de ordem. E, se mais uma vez me vejo rodeando Caetano é pra que coloque enfim a poesia pra fora. Sai de mim angustia leonina! Já não me cabe mais essa aflição entre guerra e paz. Um sentimento que persiste sem nostalgia alguma que lhe permita a latência sem sentido. Seria um tropeço numa fenda do espaço? Gosto da ideia de que este sentimento mais fora de sintonia com meus pensamentos bem poderia ser, uma aberração tempo-espacial. Mas só louca – por completo (é bom frisar por que sempre tem um ‘amigo’ que vai se ater: ‘Ué? Mas você é louca mesmo, por que negar?!’) – não perceberia o quão revolucionariamente se move em avalanches o poder das águas(=emoções). E, por causa delas, estou aqui agora parando tudo, na tentativa de capturar a sintonia com o pensamento. Viva as tisunamis interiores!

Adeus homem de outrora! Consigo vai uma parte de mim  sem olhar pra trás.

E o lamento mais fora de ordem se deve ao Ser por Inteiro que, mais do que nunca, deseja dar voltas espirais. Que martírio percorrer uma linha reta, trilho, baia, fila, demarcação espacial que me contenha e formate. Identidade tem princípio? Parece que sim, resta saber se conveniente ou não. Eu me pergunto sobre a sua contundência em relação a nossa Natureza e propriedades. A função social é historicamente óbvia.  É necessário se enquadrar caso se almeje o sentido através da forma.

Conheci apenas um homem que prescindia do desejo de forma. Era doce, lindo de corpo e alma, parecia até um santo, mas ainda assim me causava certa estranheza. Através dele percebi como é contundente para o mundo em que vivemos, o sentido através da forma. E desisti de certa resistência infantil a matéria realizando o quanto a possibilidade de materialização me satisfazia. Alguma coisa lá dentro dizia baixinho: ‘Bonitinho mas ordinário!’ Eu relutava: ‘Mas é quase um santo, lindo de cima abaixo, por dentro e por fora!’ E a mesma vozinha já querendo ir, se foi enquanto completava: ‘Quase não é coisa alguma, falta-lhe humanidade…’

Uma identidade volátil como a que possuo, à la ‘mercúrius solubilis’, não se dá as interpretações. Há sempre um mistério no ar. Um mistério feito de muitas propriedades, tendências, invisibilidades e oposições latentes – um MiXtério. Mercúrio (c12) em oposição a Plutão(c6) / Sei o quanto uma identidade claramente definida é porto seguro na compreensão social, pois para esta – ainda – é de difícil compreensão tudo aquilo que se move, se transforma e não se apega ou pelo menos por isso se move. É o oposto do pensar em massa, baseado no senso comum das tradições e rotinas do cotidiano. Sol na cúspide do ascendente em oposição a Urano conjunto a Júpiter(c7).

Já derivei horrores por não me enxergar misturada no mundão social. Enfim, quando me vi lá, estava diante de coisa alguma. Cedo percebi a que grau de miserável solidão se entrega o homem inconsciente de si-próprio. Vivi esta inconsciência na relação de infância e adolescência com meus pais e depois, talvez por contágio, enxergava tudo como podia enxergar, embora sempre com incômodo, estranheza, e uma vontade de ver a própria espécie pelas costas: ‘Entidade daninha!’ Ebulições juvenis à parte, e apesar dos ‘upgrades’ de consciência, a inconsciência na sociedade ainda é enorme e naturalmente caracteriza a todos nós, independente das inúmeras diferenças conscienciais. Neste modelo de sociedade a maioria prevalece. Dizem que em terra de cego quem tem um olho é rei, concordo se a filosofia desta terra for regida, como é na nossa, pela visibilidade e sacralização da imagem. Neste caso, siiiim! O zoiúdo é rei! Mas se a filosofia desta terra for regida por outro sentido? Ou mesmo pelo acesso ao subconsciente? O zoiúdo precisaria ser expert em ‘subjetividade’, do contrário não teria chance.

A sociedade ainda é uma miragem, não condiz com as imensas propriedades de nossa humanidade.

O que há de transformador em ‘Ser’ é lidar com o outro que há em si-mesmo.

Hoje eu sei quem sou. Reconheço tanto o deus quanto o demônio que há em mim. E isso não foi, nãe é fácil, mas é preciso desenvolver. Amo a volatibilidade de antigas confusões por que o suporte social não parecia ser o ideal.. Realmente não é. Em minha – hoje reconhecida, por que compreendida – volatibilidade, vislumbro formas que assim que puder por-lhes as mãos, instantâneamente tornar-se-ão matéria da mais pura realidade, concebida no âmago de minha autêntica vulnerabilidade. Ah!!!! Quando eu puder por as mãos!

Há quem trabalhe contra a cultura e pense sinceramente que tal atitude seja revolucionária ou algo parecido. Não passa do outro lado da mesma moeda : uma sociedade baseada em poder, medo e movimentos insanos em massa. Eu prefiro o movimento compensatório das ramificações, reconhecendo acertos e erros. Compensação se aprende e se desenvolve na justa medida de um olhar consciente sobre os paradoxos das experiências humanas. Tensão é um caminho fértil disfarçado por dor e sacrifício. Mais adiante, você percebe nesta relação o delírio, e mais adiante ainda, constrói um caminho próprio sem ter que destruir nada que já não esteja em ruínas.

Ufa! Escrever é um bálsamo. Eu recomendo!

No mais valeu Cosmo! Tirando as pendências que nós acertamos com o tempo, transformaste um ano tenebroso em compreensão. Onde ainda há neblina suficiente para se suspeitar dos benefícios já recolhidos. Mas como ex-míope de nascença aprendi a enxergar no quase escuro. Vejo por entre a neblina, brilho aqui e ali, reflexo de alguma coisa que ainda não sei o que é. Ele está em toda parte. Nem confusa, nem excessivamente curiosa, vou deixar a neblina se esvair. Não tem pressa hoje que me abale, corrompa ou exalte. Se antes me irritava ser duplamente ariana com marte residente em sagitário, hoje muito agradeço essa exuberância de entusiamo pelo devido conhecimento. E se é devido, por que sair do prumo?

As citações astrológicas se devem, ao incitar promovido pela abertura do curso de astrologia: Diferenças que unem – a arte de se relacionar, da Claudia Lisboa . Conheço astrologia desde garota e foi muiiito bom reaver a disciplina através de uma natureza tão sensivelmente banhada por sua arte (= techné=hefestos=prática=magia).

A Besta e o Coelho

agosto 9, 2009

De carona na inspiração da professora, Marfiza, viajamos através da música: ‘Eu nasci há 10 mil anos atrás’, escrita pelo Raul Seixas e Paulo Coelho.

Lembrei de quando era o preconceito em pessoa (vai tempo, mais de década) e dizia que não gostava do Paulo Coelho embora mal – muito mal – o havia lido. E o mesmo ocorre com inúmeras pessoas. Comecei mas parei por que não me sustentava sua literatura, ao meu ver, naquela época, destituída de poesia que me fizesse vislumbrar além espaços próprios.. Lia sim: os Dostoiévski, Dino Buzzati, J. Joyce, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Shopenhauer que embora não seja ficção me faz viajar à paradas intrigantes desde os 16 anos. A lista de filmes era então mais metida a intelectual que isso aí. Em relação ao cinema sou de fato obsessiva e muitíssimo mais ampla do que restrita.

Apenas reli o Paulo Coelho depois das metamorfoses ocorridas em provocação ao processo de individuação precipitado de fato com o projeto de pintura contemporânea, Brinquedos e sua série de expôs que se seguiram na Europa. Percebi algo de maravilhoso, que transcende ao apego intelectualóide das paixões de estilos. Percebi que a simplicidade verdadeira tem fundamento no maior dos sentidos: o sentido-próprio. Quem é singular por natureza não vive de reagir aos outros, simplesmente vive em plenitude sem aderir a filosofia de mundo oposicionísta. Pois é assim que se favorece o ‘estado das coisas’. Enfim, não se move por preconceitos. Havia e há fundamento nas ‘dicas’ que o chamado mago nos transmite. E ele o fez de maneira magistral por que simples, podendo atingir leigos e eruditos. Eis a base de seu sucesso na minha humilde visão, acrescentem por favor outras pois sou desprovida de inteireza.. Os eruditos que digeriram o Paulo, o fizeram apenas após queimar os preconceitos na boca do estômago-chacra do plexo solar. Aonde habita a consciência, mas também o medo..

Experts de nós mesmos, adoramos nos diferenciar pela comparação, o que em geral compreende a subjulgação do outro. Compreende uma noção de Poder arcaica e ao meu ver, graças aos deuses: terminal! Ainda hoje acredita-se na superioridade de uma cultura erudita em detrimento do pop, ouve-se Mozart, lê-se Shopenhauer e assiste-se Herzog para se diferenciar da massa que simplesmente não foi educada para tanto. Não se compreende que o pré-conceito não está na erudição, mas no homem. O que importa é a máscara de superior. Pensar com propriedade não tem nada a ver com intelectualidade. Um pensamento realmente esclarecedor não exclui nada, nem intelecto, nem espírito, nem carne, reconhece que um homem em pedaços não possui a clareza de sua totalidade. Não somos diferentes pela cultura em que nos apoiamos, simplesmente. Não à toa, ela também contribuiu pra bosta de História da Humanidade que roda e roda a roda da fortuna no mesmo eixo das misérias há milênios constituídas. Cultura é um portal soberbo em termos de significação do Presente. Mas cabe ao homem amadurecer em-si, para utilizá-la com propriedade e sabedoria. Somos ou nos tornamos diferentes pela capacidade inequivocamente humana em ampliar consciências, refazer conceitos, crescer, expandir, evoluir! O resto é resto, pó, cinzas, esteco, carne podre.

Perdi uma amiga jornalista por causa de uma situação envolvendo o Coelho, vou aqui descrever pela primeira vez o ocorrido. Estávamos as duas passando por momentos difíceis, de luta, sacrifícios sem fim. Eu meditando dia e noite, em busca do pulo espiritual que me sustentasse a convicção de que havia luz ao final do túnel. Ela as voltas com livros de ficção chateada acusando editoras de não a desejarem por que tudo era ‘panelinha’. Ela escreve bem. E de panelas todo mundo já teve algum tipo de experiência, mas eu estava num tal momento que lhe recomendava insistir e não se ater tanto a ideia de panela, por que assim acreditava e acredito: não projetaria coisa alguma. Ela muito decepcionada pouco me ouvia.

Saiu a autobiografia do Paulo Coelho. Ela me falava que reconsiderara sua visão a respeito dele em alguns pontos, mas que de fato não o engolia e assim começara a me relatar ocasião em que fora até sua casa com uma colega também jornalista para produzirem juntas uma entrevista com o Paulo. Frisou que sua colega assim como ela não o suportava. Questionei o por quê e a resposta nunca vinha objetivamente, eram evasivas, geralmente relacionadas a postura de vida, sem uma única vez fazer menção aos escritos em si.

E assim relatou que ao adentrar na casa do escritor,  deu com uma estante com todos os livros do mago em várias linguas. Os livros estavam apoiados em santos. Esta era a sua ‘gota d’água’, não achava justo que os santos estivessem servindo de suporte aos livros. Foi categórica ao afirmar que uma pessoa que coloca santo para sustentar livros não poderia ser uma pessoa digna etc e tal.. Pra mim estava claro justamente ao contrário. A crença dele era tamanha que evocara a energia dos santos para com eles promoverem juntos seus sonhos. E o resultado é o que vemos e acredito fundamentar parte de seu sucesso pelo conhecimento na manipulação das energias.

A resultante da empreitada jornalística foi o abandono sumário do serviço sem a devida constatação, diálogo, abertura de espaços, confrontamento saudável entre as partes que pudesse promover uma maior compreensão dos fatos.. A amiga de quem falo eu já vi na sua base mais pura e verdadeira, ela é linda, generosa, engraçada e direita. Hoje percebo com extrema acuidade como estava doente. Na época eu também não poderia dar-lhe o devido olhar de compreensão, também eu vivia das entorces psicológicas, expurgando aos montes, sem foco que nos sustentasse. Assim nos afastamos.

Julgamentos e preconceitos são atitudes de uma oposicionísmo tacanho. Sou phd nisso, fui educada para tanto. Mas maior é o nosso chamado interior, quem quiser ouvir, precisa ‘baixar a onda dos sentidos’. Se for difícil, façam como eu! Gastem bastante e depois, abram bem os ouvidos e deixem o coração falar.. Preconceito e julgamento cegam a alma. Precisamos aprender a lidar com nossas próprias energias em relação direta com o entorno, um entendimento entre o homem e a natureza. Não há por que desvirtuar energia com o julgamento alheio.  A não ser que seja um verdadeiro juíz! De resto, é lidar com a própria energia, a sua máxima energia em comunhão com o entorno.

Observo que o Paulo Coelho cresce por que sabe se desligar depois de ter tido com o mais profundo de sua sombra. Por isso e também por que dizem, não escreve com o esmero de um escritor de estilo superior, recebe inúmeros ataques. Infelizmente há ainda muita mais inveja que desvirtua as pessoas de si-próprias, do que orientação de energias ao próprio intento, desejos e sonhos.

Por fim, disseram em nosso seminário que o Paulo Coelho e o Raul Seixas se apropriaram do conhecimento de madame Blavatsky, dentre outros. Atento, como de costume, o prof Alvaro lembrou que o mesmo aconteceu com outros. Pois o Freud não foi beber em outros? Jung, Picasso, George Lucas, etc.. Qual o problema? O mundo é uma colcha de retalhos. Estamos aqui para atualizar visões de mundo, a criação é uma amarga ilusão. Somos de fato seres imaginativos com raros insights de criação. Olha que quem vos fala já teve seu trabalho ‘chupado’ algumas vezes, de maneira leviana – premeditadamente me ‘furtarem a vez’.. Com este procedimento não há como concordar, mas não parei para espiar a loucura alheia por muito tempo, caso contrário ficaria louca também. Segui em frente.

Espero imaginar com propriedade, orientação, certo rigor e muito delírio arrumadinho, sistematizar também (sem jamais ser ortodoxa!). E embora adore receber inspirações criativas – é boa parcela do que me move – não vou ter pudores quando conceitos alheios me seduzirem (já não tenho..), deles me apropriarei e daí nascerão outras perspectivas, tantas quanto tiver energia para atualizar. E não é que desde pequena adoro colagem! ; )

Depois fiquei pensando, talvez o Paulo Coelho possa nos ensinar mais do que seus livros propõe através da sua história de vida. Êeee figura pra resistir a ira dos outros! Isso sim é sabedoria. Produz uma resistência que em planos espirituais vale o nosso ouro terreno. E assim como é acima, é aqui embaixo.. Acorda ser humano!

REGULAMENTO : Internet tem Alma?

abril 20, 2009

Você deve conhecer alguém que nunca usou internet, mas fala dela como se fosse íntimo. Caso contrário, você conhece alguém que nunca usou internet.

Participe da 1ª WebArte Colaborativa do Globalaio, produzindo uma gravação de voz ou texto, questionando ao entrevistado acima descrito :


Internet tem Alma?

e / ou

O que é Internet?

1 – QUANTO AO TEXTO:

Envie o texto nas seguintes especificações :

A – A(s) resposta(s) não pode(m) ultrapassar 1 página A4(21×29,7) e deve(m) estar formatada(s) com tipologia arial 12, entrelinha 1.

B – Envie o texto no corpo do seu email, ou em anexo ao email nos formatos: .doc ou pdf.

2 – QUANTO A GRAVAÇÃO:

Envie o arquivo nas seguintes especificações :

A – Será aceito apenas (1) um arquivo de som de até 600 k por pessoa. (independente se contém uma ou duas respostas).

B – Somente arquivos em MP3.

3 – As inscrições estarão abertas até o dia: 30 de Agosto de 2009.

4 – Selecionaremos para participar da composição da WebArte : ‘Internet tem Alma?’, até 10 propostas ou um máximo de 20 respostas. As mais espirituosas!

 

5 – Arquivos que ignorem as intruções deste regulamento não poderão participar.

6 – Envie o arquivo de Som ou Texto para o email >> colabore@globalaio.com

7 – O presente concurso está aberto à colaboração de qualquer pessoa de qualquer nacionalidade que compreenda e trabalhe de acordo com a regulamentação presente.

8 – As entrevistas devem ser produzidas em Português.

9 – Se quiser ser incluido na ficha técnica do multimídia, envie seu nome, cidade e endereço de email postados com o arquivo de som anexado para o email acima citado. Caso quiser permanecer anônimo, não há problema, a opção é sua.

10 – O Globalaio tem o desejo de editar um livro sobre a presente iniciativa no caso das colaborações serem satisfatórias e havendo condições para tanto. Funcionaria como uma espécie de antologia, assegurando aos participantes um significativo desconto na aquisição de um determinado número de exemplares. Portanto, somente envie material quem desejar participar da presente iniciativa como colaborador da mesma. Sendo resguardado à idealizadora do projeto, o direito autoral do mesmo.

Será a 1ª. WebArte do site com a colaboração externa. Você manda a ‘fala’ e nós trabalharemos baseados no material colhido. A produção final será exposta em data a ser anunciada neste blog, no canal do site Globalaio: Terra Virtual.

A WebArte Colaborativa é uma iniciativa do site Globalaio, realização AndreaHa San. Participe e Acompanhe o desenvolvimento desta proposta no canal, Terra Virtual: http://www.globalaio.com/terra_virtual.html

 

Manequim Nu – Consumo

março 28, 2009

O Laboratório de Imagem é coordenado pela professora Maria Florentina. Segundo o prof. Álvaro, a Flo é uma freudiana com alma de Jung. Por enquanto só posso dizer que esse laboratório inspira..

A partir do livro de Baudrillard:  A Sociedade de Consumo, capítulos:  ‘A Lógica Social do Consumo’ e ‘Para uma Teoria do Consumo’ – produzi 2 micro-ensaios em slide: Associação Índio Camelô e Manequim Nu.

Vou postar aqui algumas fotos do Manequim Nu e deixo para o próximo as fotos da Associação Índio Camelô.

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O enfileiramento dos manequins e seus corpos em pedaços, o reflexo dos enfileirados na vitrine, os manequins destituídos como suportes de vestuário – nús diante da vitrine: o ‘habitat natural’, o interior da vitrine vazia, o funcionário que limpa o espaço e todo o desarranjo orquestrado pela reorganização da vitrine – são fatores, dentre outros possíveis, neste arranjo informal. Onde não houve qualquer organização em relação as peças, simplesmente identifiquei na disposição das mesmas diante da vitrine uma boa oportunidade para exercitar o olhar sob o tema proposto.

Casa do Crudívoro

dezembro 12, 2008
Casa do Crudivoro

Casa do Crudívoro

Embora a palavra revolução geralmente deixa de ter sentido, quando se ultrapassa os primeiros 20 anos de vida, o que realmente me parece contribuir com a sua derrocada é a submissão aos sistemas sócio-políticos com a qual a sociedade se ‘orienta’. E isso independe de idade, mas fundamentalmente é uma questão de : consciência e filosofia de vida. Por trás das quais estão: a formação estrutural do indivíduo e seus anseios mais profundos.

Ou você quer ser incorporado pela cultura social e por ela modela uma personalidade, empreende seu suor, sangue e espírito em troca de um espaço ‘bem condicionado’. Ou você quer ser o que é e por isso empreende seu suor, sangue e espírito sem concessões, sem negociatas, sem passar por cima de ninguém, muito pelo contrário, encontrando pouco a pouco durante a vida, raros parceiros afins. Mas sofre por durante um longo período estar só. Sofre por não ser compreendido, sofre por parecer miserável enquanto você está promovendo a mais justa das causas, aquela que vai fazer de você alguém de verdade.

A sociedade se move por preconceitos. E assim se constrói, doa a quem doer.

Por que menciono tais palavras num post sobre a Casa do Crudívoro?

Por que existe um imenso potencial revolucionário na cultura crudívora. E este potencial está diretamente relacionado a indústria alimentícia e da saúde, especialmente a farmacêutica. Quem se alimenta de crus, em geral, possui uma qualidade de vida muito maior do que quem ingere comida cozida, assada ou frita. O alimento cru funciona em sua potência máxima proporcionando ao organismo ‘em condição real’ tudo o que precisamos. Neste caso a alimentação natural sustenta o corpo físico de maneira íntegral. Mais do que alimento, ingere-se remédios vivos, naturais…

Já imaginaram a economia em termos de : médicos, farmácia e alimentação processada artificialmente?

Posso garantir que a economia é enorme, que se emagrece naturalmente e que a constituição física acrescida de exercícios físicos regulares – mas nada excessivos – proporciona condições integrais ao corpo humano. 

Já repararam na silhueta esguia da grande maioria dos japoneses? O japonês é o povo que mais vive na face da Terra. E assim como alguns franceses que ingerem pequenas doses de vinho tinto diariamente, possuem a menor incidência de problemas cardíacos do mundo.  

Assim como eu, os japoneses não fazem uma dieta 100% crua, investem muito no ômega existente nos peixes crus, não utilizam a manteiga como base da culinária, mas molhos e temperos com base em : soja, ameixa, dashi (caldo de peixe) e algas dentre outros. Ao invés de pão, arroz (de minha parte integral), comem regularmente: rabanete, nabo e beringela. Na dieta japonesa raramente se utiliza: carne vermelha, açúcar, manteiga e gordura animal, já na dieta americana é justamente ao contrário… Assim como as vacas que ingerem cálcio vegetal diretamente do capim, eu o incorporo do suco verde (ou da luz) – receita publicada tempos atrás aqui no blog. Em 6 meses  de suco matinal 5 vezes na semana mudei o aspecto de minha pele radicalmente e emagreci naturalmente sem grandes esforços.

Este ainda é um exemplo ‘mais ou menos’ , um exemplo para intermediar a mudança de hábito que é realmente radical. Uma perspectiva ainda distante dos enormes benefícios de quem apenas come comida crua. Citei este exemplo porque é o que mais se aproxima de minha dieta atual.

O melhor seria que vocês absorvessem conteúdo diretamente do site da alimentação crudívora, através do banner ao lado ou do link na categoria sites. Eles possuem inúmeros exemplos sobre a cultura, como livros, videos, entrevistas, casos, instrumental, receitas, cursos e workshops.

Tenho a satisfação de comunicar que a partir de hoje a Casa do Crudívoro é parceira do Globalaio. Estamos aqui também para auxiliar na disseminação desta cultura riquíssima, que poderá revolucionar os hábitos de nossa sociedade, baseada numa filosofia de vida natural, purificadora, reestruturadora, simples e muito econômica.

Encerradas as Inscrições/1a WebArte Coletiva

setembro 11, 2008

Encerradas as inscrições para a 1a WebArte Coletivado Globalaio, venho por meio deste post anunciar que foi uma iniciativa de grande sucesso, com muito mais participantes do que era esperado para esta primeira oportunidade – sem maiores divulgações, apenas por intermédio deste site e do jornal Pôr do Sol.

Ao avaliar os emails observamos que o nível das entrevistas enviadas foi excelente, o que naturalmente nos estimulou à conceber uma webarte que comporte a todos os 51 participantes!

Em tempo, a grande maioria dos participantes optou pelo envio de texto ao invés de gravação. Portanto, para facilitar a composição de uma arte igualitária, entramos em contato com os 7 participantes que nos enviaram sons, para lhes solicitar a utilização de seus conteúdos em texto, conforme a grande maioria. Agradecemos a compreensão e participação de todos!

A Webarte: Internet tem Alma? será publicada até o 1o. semestre de 2009.