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A Meditação da Criança Interior

outubro 9, 2008

Elaborei uma série de exercicios e atividades plásticas no período em que ministrava as Oficinas de Arte Em Busca da Criança Interior.

A Meditação da Criança Interior é pura conexão com nosso íntimo, nosso Eu Interior.

Procure um lugar tranquilo, posicione-se sentado como um yogui (com as pernas entrelaçadas) ou deitado de barriga pra cima. Tanto faz : se ficar deitado, que seja reto e relaxado, se ficar sentado, que a posição lhe seja confortável.

Faça o possível para prestar atenção apenas na sua respiração sem desviar o pensamento, mas não se estresse quando o mesmo divagar.

Respire profundamente : Inspire profundamente, retenha o ar nos pulmões até quando puder, expire profundamente e retenha os pulmões vazios até quando puder. Faça este poderoso exercício de respiração pelo menos 10 vezes (ao inspirar, reter, expirar, reter conta 1 vez). Se puder vá além, o limite é 20 vezes.

Ao terminar, continue com a respiração profunda mas agora sem retenções, para encontrar por si o ritmo ideal de relaxamento de seu corpo. 

Oriente seu Pensamento para um evento muito feliz de sua infância, ou se veja brincando com seu brinquedo ou atividade preferida desta época. Mais do que ver, o importante é que você volte a sentir a sensação de prazer e profunda alegria que a sua atividade preferida lhe proporcionava.

Ao acessar este sentimento, desenvolva-o, brinque, se delicie!

A maior parte das pessoas consegue com facilidade alcançar este sentimento de alegria pura e divina que se encontra dentro de cada um de nós. Mas, no caso da pessoa não conseguir acessar o sentimento, não tem problema. Ela deve relaxar e visualizar com riqueza de detalhes, um desejo muito querido ainda não realizado.

Mantenha a respiração profunda – no seu ritmo – e o corpo totalmente relaxado.

obs1: Não se deve colocar impecilho algum para a visualização do desejo, por mais distante que o mesmo pareça estar.

obs2: Quem acessar sua atividade preferidade da infância pode fazer também a visualização do desejo em seguida.

Esta meditação tem o poder de nos aquecer o coração trazendo conforto e alegria. Associada à visualização pormenorizada de um desejo querido, evocado com frequência, pode transformar vidas.

O importante nesta ‘dobradinha’ meditativa é o sentimento de profundo amor através da – consciente – vivência integral do Ser.

Bom proveito!

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Laranja Mecânica e Autonomia Política

junho 29, 2008

O Filme da vez..

Do original : ‘A Clockwork Orange’, de Stanley Kubrick, rodado em 70 e lançado em 1971.

Vi este filme pela primeira vez na adolescência, há uns 20 anos. Pela crítica social que implica me senti como que em catarse. Exatamente o mesmo ocorreu poucos anos depois quando assisti: ‘Saló 120 dias de Sodoma’ de Pasolini.

Adorei a plástica psicodélica das ambientações e figurinos de Laranja Mecânica, um misto de jardim de infância com cheiro de sexo e rebeldia, enfatizado pelos acessos de selvageria intelectualizada expressas com primor por Malcolm McDowell. Era tudo o que eu acreditava precisar para externar a minha própria fúria mediante um mundo que entendia como algoz.

Muita coisa mudou de lá para cá.

Primeiro, o filme não me atiça o instinto como antes. Segundo, vejo com clareza que apesar de todo o culto a violência, no qual investimos de várias formas, o mundo não é a porcaria que eu enxergava há duas décadas atrás. Apesar dos pesares, tenho em alta conta os seres humanos e um mundo não se constrói por si só.. No final das contas a responsabilidade é sempre nossa: atuando, concebendo, reagindo, omitindo, fugindo, alienando ou construindo.

Pr’ além da ingenuidade assim como da ignorância dos tempos de juventude – independente se um mal do próprio espírito, contexto familiar, genética ou ambas as alternativas, como acredito ser – o importante é perceber a gênese do julgamento, instrumento da moral em que se baseia uma sociedade que desconhece a própria natureza.

É sempre um bálsamo lembrar de Madre Teresa de Calcutá: ‘Quem julga não tem tempo pra amar’.

Era aí que eu gostaria de chegar. Ao julgarmos utilizamos o tal senso crítico para nos separar do que possuímos de mais genuíno : o sentimento natural de compaixão que nos reune ao semelhante, ou à nós mesmos. Ao criticar e não compreender, mergulhando nas dores e misérias alheias, assim como nas próprias (por que também é comum julgarmos a nós mesmos de maneira cruel e implacável), estamos construindo uma sociedade moralista e preconceituosa, que não enxerga além de preceitos sociais separativístas, barganhando a própria humanidade – nossos valores e potenciais intrínsecos – pela ilusão de segurança que nem a saga que a corrupção política desenvolveu e desenvolve durante toda a sua história, é capaz de encerrar.

Laranja Mecânica não faz o mesmo sentido pra mim. Sem sombra de dúvidas é um filme maravilhosamente realizado. O argumento é baseado na corrupção sócio-política, delinquência juvenil e desumanidade sem limite. Infelizmente ainda se sustenta através investimos massivos numa filosofia de vida que ao meu ver já nos revelou o que tinha pra revelar. Eis aqui um retrato de nossa sociedade tão atual quanto há quase 40 anos, época do lançamento do filme.

Por outro lado eu fui além daquela compreensão juvenil quando aprendi a escoar a minha própria selvageria adquirindo nova consciência dos fatos que reprimiam o meu espírito. Penso que a partir do momento em que percebemos a nossa participação no enredo da vida, os horizontes se alargam sem mais chance de se estreitarem. Neste caso, fica claro e cristalino quando estamos simplesmente reagindo a ação de outros ou quando estamos inspirados pela nossa própria natureza a conceber uma vida independente e paralela: o nosso caminho de origem e propriedade.

Criticar ou reprimir são paradoxos os quais a Humanidade precisa se ver livre, uma vez que investe-se energia vital naquilo que não se deseja desenvolver ao invés de investir nos próprios interesses. Ao fazer desta atitude rotina, já era a energia pra se realizar os próprios sonhos.

Uma vez redirecionada a energia, caminha-se adiante. Vale a pena refletir com coragem, simplidade e desapego :

Onde, por natureza e propriedade se encontram os nossos verdadeiros interesses e sonhos?